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Disputa pela vice antecipa eleição de 2022


Wellington Dias: na escolha do vice da chapa para 2018, a sombra de Margarete Coelho e Themístocles Filho

 

Ser vice-governador de um Estado não é pouca coisa. Mas ser vice de um governador que não tem a chance de disputar a reeleição transforma o posto em um lugar estratégico. Essa perspectiva está tornando mais intensa a disputa pelo lugar de vice-governador na chapa de Wellington Dias (PT). Por que? Ora, porque está em jogo o controle das eleições de 2022.

Wellington buscará no ano que vem o seu quarto mandato de governador. É uma candidatura de reeleição, portanto sem possibilidade de recondução. Se reeleito, poserá fazer o que fez em 2010: deixar o mandato antes do fim para disputar um outro cargo – por exemplo, o de senador. Ser vice de Wellington cria uma perspectiva real de ser governador-tampão. Ou mais.

Essa possibilidade torna o lugar especialmente cobiçado, acirrando o debate sobre a composição da chapa de Wellington. Todo grupo quer indicar o vice, porque cada um quer ter nas mãos as rédeas das eleições de 2022, com um vice que pode ser ele mesmo candidato a um segundo mandato ou figura-chave na eleição do sucessor.

O deputado Marcelo Castro (PMDB) costuma repetir que ganha-se uma eleição de cada vez. Portanto, não seria conveniente entrar numa disputa olhando pelo retrovisor (a eleição anterior) ou para o futuro (a eleição subsequente). Mas a lição é costumeiramente desdenhada pela política. O Piauí pode bem mostrar isso, em 1998, 2006 e 2010.

Quando disputou a reeleição em 1998, Mão Santa (PMDB) teve como vice Osmar Júnior (PCdoB). Apesar de ser do PCdoB, tinha uma ótima relação com o PSDB de Firmino Filho. Era um olhar para 2002, quando imaginava-se que PSDB e PMDB poderiam estar juntos, com a candidatura de Firmino recebendo as bênçãos de Osmar, um aliado próximo. Em 2006, outra vez a questão do vice entrou em discussão. Wellington quis sacramentar ali uma aliança futura com o PMDB, entregando o segundo posto na chapa a João Henrique Sousa. Mas não deu certo: Mão Santa quis ser candidato e derrotou o sonho de João Henrique na convenção do partido.

Mas o momento que mais mostra a força do vice de um governador em segundo mandato é a eleição de 2010, quando Wilson Martins disputava a reeleição. Themístocles Filho era para ser o vice do PMDB, mas foi vetado pelo PT de Wellington Dias, candidato ao senador e já de olho em 2014. O veto era a antecipação para 2010 da disputa de 2014. O mesmo ocorre agora.

 

Em jogo, o controle da eleição de 2022

Quando vetou o nome de Themístocles em 2010, o PT fazia um cálculo para 2014. Os petistas sabem da capacidade do presidente da Assembleia de, com a caneta na mão, construir apoios. Como vice de Wilson, um governador que já disputava a reeleição, daria a Themístocles um poder fundamental na sucessão de 2014. E preferiu não alimentar um potencial adversário.

Agora tem Themístocles como nome do PMDB para a mesma vaga. Mas Wellington tem que administrar a vontade de Ciro Nogueira, que planeja ter um candidato do PP (ele próprio ou não) ao governo do Estado em 2022. Ciro gostaria de manter Margarete Coelho na vice, para assim ter o controle do processo lá adiante. Mas sabe que há um problema de engenharia política.

As alianças eleitorais procuram ter o maior número de partidos e distribuem as principais vagas entre as maiores siglas. Quando Ciro reivindica a vaga de vice, sendo ele mesmo candidato à reeleição ao Senado, agride essa lógica. O mesmo faz o PT, quando tenta, além da vaga de Wellington, manter Regina Souza como candidata a senadora. Seria reduzir a chapa inteira a dois partidos.

A refrega vai render muita estocada entre aliados. E pode produzir fraturas. Por conta disso, Wellington terá que demonstrar, mais que nunca, a decantada capacidade de unir.