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Recuperação econômica pisca: queda de emprego acende alerta


Economia: depois do fim da recessão em 2017, Brasil espera em 2018 retomada mais robusta da produção 

 

Os seguidos sinais positivos da economia brasileira, verificados nos últimos meses, sofreu um golpe com a divulgação dos níveis de emprego no mês de novembro. Após sete meses de alta no número de vagas de trabalho, novembro apresentou queda. Um saldo negativo de 12.292 vagas de trabalho (resultado da diferença entre as 1.111.798 contratações e 1.124.090 demissões).

Pode-se dizer, a recuperação econômica piscou. Mostrou alguma inconsistência, ao contrário da leitura oferecida pelos meses anteriores. Apesar da piscada de novembro, a leitura mais geral é que o Brasil terá em 2018 a recuperação que desejava para 2017.

Vale lembrar, o Brasil enfrentou desde 2014 uma série de tombos. Viu emprego evaporar. Perdeu competitividade. Desperdiçou mercados. E viu o PIB despencar, acumulando recuo algo em torno de 8% em dois anos. Assim, 2015 e 2016 entraram para a história como a pior recessão de todos os tempos no país, pior até que os terríveis anos de 1930 e 1931.

O ano de 2017 não foi nada fácil, e acabou muito distante das expectativas que se tinha – esperava-se que a recuperação econômica acontecesse com forte retomada da produção e do consumo. Ficou longe disso. Mas pode-se comemorar o fim da recessão. E o PIB do ano deve fechar com um crescimento em torno de 1%, talvez até um pouco acima disso.

O melhor de 2017 é a perspectiva imediata de uma retomada substantiva, que muitos apontam para um crescimento do PIB entre 3% e 4%. Mesmo após os últimos resultados relativos ao emprego, a maior parte dos analistas mantém a expectativa no mesmo patamar.

Alguns indicadores são apontados para tal otimismo:
Emprego: foram sete meses seguidos de alta, gerando mais de 1,2 milhão de novas vagas. Mesmo com a queda em novembro, o mercado segue otimista, ainda mais com a reforma da trabalhista. A previsão é que 2018 gere entre 1,8 e 2 milhões de postos de trabalho.
Juros: tivemos a maior queda nas taxas de juro, nas taxas do Banco Central. Mas essa queda começa a chegar na ponta, na forma de taxas mais baixas no cartão de crédito, no cheque especial e, principalmente, nos contratos feitos pelo consumidor final.  
Crédito: Se os juros caem, o consumidor (com nível de endividamento também em queda) tem mais motivação para comprar. E faz isso recorrendo a crédito mais acessível e mais atraente.
Inflação: A inflação de dois dígitos herdada de Dilma Rousseff caiu em 2017 para um patamar de 3%. A expectativa é que siga baixa nos próximos anos.
Confiança:  As expectativas positivas ganham força na leitura positiva do brasileiro diante da economia. Há confiança. E quando há confiança, fica mais fácil investir (casos de empresários) e também comprar (caso do consumidor final).

O ponto que mais gera dúvidas nos economistas é a questão política. E aqui não se fala mais com tanta ênfase na reforma da Previdência – se sai ou não sai. A dúvida mesmo é quanto aos candidatos à substituição de Michel Temer no Palácio do Planalto. Não há uma clareza sequer quanto aos concorrentes. O resultado, então, ninguém arrisca. E menos ainda o que vai embalar o discurso (econômicos) dos concorrentes.

Com tantas dúvidas, as especulações podem ganhar asas, afetando os mercados e alterando as previsões – que neste momento são francamente otimistas.