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Com candidatura de Luciano, Firmino entra em encruzilhada

Firmino Filho: o prefeito mantém o nome como pré-candidato ao Karnak, embora tenha condicionantes que tornam sua escolha muito difícil

 

O prefeito Firmino Filho (PSDB) não deve viver os momentos mais tranquilos. Passou de ser o objeto de desejo de 9 entre 10 membros da oposição a ser apontado como alguém que agora cria embaraços para a mesma oposição. O que causou um certo desconforto foi a declaração do prefeito, dita uma semana e repetida na seguinte, de que mantém a possibilidade de ser candidato ao governo. Isso precisamente quando Luciano Nunes (PSDB) entrou em cena e gerou expectativas e esperanças.

Não que se rejeite a candidatura Firmino. Muito pelo contrário: ao longo de todo o ano passado a grande maioria dos integrantes da oposição enviou todo tipo de sinal, pedindo que Firmino se apresentasse para a disputa. Mas a resposta na forma de sinais positivos nunca se fez visível. Ao contrário: as declarações do prefeito surtiam o efeito da água fria na fervura.

Contra todos os desejos oposicionistas, Firmino encerrou o ano defendendo nomes novos. E, para mais de um interlocutor, chegou a citar os seus preferidos: André Baia, Chico Lucas, Norberto Campelo... Pois quando surgiu um candidato novo – no caso Luciano Nunes –, o prefeito resolveu dizer que mantém-se como alternativa, ainda que sem garantia de ser candidato. Ou seja: é mas não é.

A apresentação do nome de Luciano causou um efeito inesperado, animando uma oposição que se debatia em busca de qualquer esperança. Agora, é a própria oposição que não tem mais como esperar. Quer uma definição de Firmino: se é, diga. Se não é, que também fale. A indefinição, na avaliação de várias lideranças, não contribui para viabilizar uma alternativa que seja competitiva. E agora – avaliam – há uma alternativa capaz de perseguir essa viabilidade.
 

As dificuldades reais de Firmino

Uma coisa é certa: não é fácil a situação do prefeito Firmino Filho. Para ser candidato, tem que entregar a prefeitura a um grupo que lhe é refratário – liderado por Themístocles Filho (MDB), a quem é ligado o vice-prefeito Luís Júnior. Além disso, não sabe se pode contar com o apoio de um aliado muito, muito próximo – o senador Ciro Nogueira, controlador do Progressista e aliadíssimo do governador Wellengton Dias (PT).

Ainda no ano passado, quando era indagado sobre a possibilidade de ser candidato, o entorno de Firmino colocava a necessidade de materialização de três condições. Primeira, o descalabro administrativo no Estado (falava-se até em atraso salarial). Segunda, Lula não ser candidato à Presidência, pois assim deixaria de ser puxador de voto para Wellington. E, terceira, que Ciro rompesse com o governador.

Pelo jeito, nenhuma das três condições vai se materializar. Isso torna muito mais difícil para Firmino a opção de deixar a prefeitura diante de um cenário nada condizente com o desenho por ele esperado.