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Temer quer ter relevância na eleição. E pode ser como candidato!


Temer e Moreira Franco: articulações que tentam dar relevância ao presidente na campanha. E pode ser como candidato

 

Pode parecer brincadeira, mas tem gente no Palácio do Planalto pensando na possibilidade de lançar um novo candidato à presidência da República. E esse “novo” nome vem a ser o próprio presidente Michel Temer (MDB). A ideia é alimentada por nomes de peso dentro do governo, como o ministro Moreira Franco e o senador Romero Jucá, ambos do MDB.

A ideia tem a ver com contar ou não contar no processo eleitoral. Talvez Temer tenha calculado, lá em 2016, quando assumiu o Planalto, que chegaria ao fim do mandato como grande eleitor, como uma das figuras centrais no processo. Pensava na aprovação das reformas e na recuperação da economia como credencial. Mas as lambanças políticas, o arrastar das reformas e a enorme impopularidade do presidente retratam uma realidade muito distinta da imaginada pelos palacianos.

Nas últimas pesquisas realizadas ainda em dezembro, Temer contava com apenas 6% de aprovação – um índice já melhorado, porque foi pior. Em tal cenário, é difícil imaginar Temer até mesmo como um cabo eleitoral desejado pelos candidatos, imagine tê-lo como postulante a permanecer na cadeira principal do Planalto.

Os articuladores Moreira, Jucá & Cia. pensam diferente: calculam que o quadro tende a mudar, já que apostam em substantiva recuperação econômica neste primeiro semestre. Isso, segundo avaliam, daria ao presidente uma nova condição popular. É aí que sonham com a possibilidade de Temer ser candidato a um novo mandato. Sonho ou delírio?

O que esses articulares observam é que, hoje, Temer não conta para quase nada na corrida eleitoral. Não controla o MDB, sequer o governo. Não tem resposta popular e também tem nas mãos um governo com tantas limitações financeiras que até mesmo o poder da caneta – esse sim, ninguém quer estar longe – tem graves limitações. Traduzindo: Temer não é forte nem com o povo e nem como máquina.

A tal candidatura, sussurrada por Jucá e Moreira, seria uma forma de dar relevância. Faria Temer ser ao menos olhado, escutado e bajulado. Mas, por enquanto, os sussurros não têm sido ouvidos. Por ninguém.
 

Como fica o MDB do Nordeste sem Lula

Uma boa fatia do MDB do Nordeste vinha se aproximando do PT, muito em razão da possível candidatura Lula. É na região onde Lula tem mais resposta. Daí, a perspectiva era que a aliança entre as duas siglas acontecesse em seis estados nordestinos: Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí.

Mas a situação pode ser repensada em vários lugares, em razão do julgamento de quarta-feira, em Porto Alegre. Há uma leitura muito distendida de que a candidatura Lula está inviabilizada e há sérias dúvidas sobre a capacidade do ex-presidente levar nas costas um nome alternativo a ponto de torná-lo realmente competitivo. Daí vem o pragmatismo: muitos vão esperar as próximas semanas para ver para onde correm as águas da disputa pelo Palácio do Planalto. Só aí decidem.

Casos como o Piauí, Ceará e Sergipe o PT tem a chave do governo local. Em uma região onde o voto de liderança é tão decisivo, esse fato pode manter a aliança entre as duas siglas. O argumento principal, neste caso, será a força da caneta.