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Em nova Caravana, Lula faz teste pós-TRF4


Lula na estrada: a nova etapa da Caravana do ex-presidente será nos estados do Sul e funcionará como um teste após julgamento no TRF4

 

No dia 27 deste mês, uma terça-feira, o ex-presidente Lula estará iniciando uma nova Caravana Lula pelo Brasil. Será o quarto tour do petista, em um esforço de mobilização da militância. Nas três anteriores – primeiro, pelos 9 estados do Nordeste; depois, em Minas Gerais; e, por fim, no Espírito Santo e Rio de Janeiro –, havia a preocupação de criar um cenário popular que gerasse pressão sobre os desembargadores do TRF4, que julgariam o recurso da condenação de Lula em primeira instância.

Como se sabe, a pressão não funcionou: Lula perdeu o recurso e viu sua pena elevada de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês. Mas Lula conseguiu reafirmar discurso e consolidar grupos de apoio. A nova Caravana, com roteiro pelos estados do Sul, soa como uma espécie de desafio à decisão do TRF4. É revelador observar que o roteiro começa no Rio Grande do Sul (onde está o TRF4), passa por Santa Catarina e termina no Paraná – mais precisamente em Curitiba, onde está a primeira instância que condenou o ex-presidente.

Haverá outros momentos simbólicos. A andança começa no dia 27 de fevereiro e termina dia 7 de março. Dá a largada em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, com a possibilidade de receber apoio de lideranças do vizinho estado. Daí sairá para São Borja, onde visitará o túmulo de Getúlio Vargas. E haverá até espaço para cartões postais, como a passagem por pontos turísticos em Santa Catarina e Paraná.

Com a nova etapa da Caravana, Lula quer dar de ombros mais uma vez à decisão judicial que aponta como perseguição. Mas também será um teste e tanto para o petista. Será interessante ver a reação popular – se haverá real envolvimento da cidadania ou se a Caravana será festejada basicamente pela militância arregimentada para o acontecimento.
 

Prisão de deputado é alerta para Lula

A Polícia Federal prendeu hoje cedo o deputado federal João Rodrigues (PSD-PR), ao desembarcar em São Paulo, procedente de Orlando, nos Estados Unidos. A prisão de Rodrigues é simbólica: ela é resultado do julgamento de segunda-feira, no STF, e está relacionada à possibilidade de execução da pena após julgamento em segunda instância.

O PT acompanhava com atenção esse julgamento. E não gostou do resultado. A situação de João Rodrigues é semelhante à do ex-presidente Lula. Após os recursos à decisão do TRF4 – que deve se encerrar até o final de março –, o ex-presidente estará sujeito à mesma situação. Evitar a prisão de Lula vai exigir dos advogados de petista muito esforço. Sabendo disso, a equipe de defesa de Lula foi reforçada por Sepúlveda Pertence. Ele é ex-presidente do STF. E, acima de tudo, é nome muito respeitado pela competência jurídica.

Um reforço e tanto. E necessário.