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Intervenção traz pergunta: para onde vão os bandidos do Rio?


Presidente Michel Temer, ao anunciar intervenção no Rio e Janeiro: medida gera preocupaçao em outros estados do país
 

Há um entendimento amplamente aceito: a criminalidade não é – e não é há muito – um problema local. Ela se organiza em âmbito nacional e até internacional. Isso quer dizer que um criminoso como o traficante Nem, mesmo a 5 mil quilômetros do Rio, continua dando as cartas na Rocinha e outros morros cariocas. Isso também deixa a pergunta: se a intervenção na segurança Pública do Rio de Janeiro for eficiente e afugentar de lá os bandidos, para onde vão esses bandidos expulsos?

A questão já está colocada na mesa, em manifestações dos governadores do Espírito Santo e Minas Gerais. Também São Paulo, que não se manifestou, alimenta a mesma preocupação. Pode-se dizer que estados mais distantes onde as organizações criminosas estão bem enraizadas – como Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas – também devem estar muito atentos aos desdobramentos.

A intervenção na segurança do Rio de Janeiro dá lugar a duas perspectivas mais concretas: ou teremos uma matança enorme de criminosos ou teremos uma debandada desses criminosos para novos “mercados”. Pode ainda haver a possibilidade dessa bandidagem se fazer de morta, esperando ver se a intervenção acaba. Mas o crime é um sistema que se empenha em ser realimentado, daí a possibilidade de se fazer de morto é menos provável.

Vale lembrar, as organizações criminosas estão articuladas em âmbito nacional. O Comando Vermelho (CV) nasceu o Rio e espalhou-se pelo resto do país. Já o Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu em São Paulo e logo se instalou nos demais estados. Ambos funcionam como uma espécie de franquia e como tal têm projetos, metas e compromissos. Portanto, não vão simplesmente cruzar os braços ou se esconder em um barraco.

Nesse sentido, a  busca de novos mercados pode levar à ampliação da presença desses grupos em estados – como o Piauí – onde hoje atuam de forma não tão intensa. Daí, a preocupação que hoje alcança os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo deve esquentar a cabeça dos governadores dos demais estados do país.