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Banco Mundial mostra que Brasil ainda não priorizou educação


Educação no Brasil: dados do Banco Mundial mostram que ensino não produz os resultados dresejados 
 

A cada ano, a história se repete: o Brasil está muito mal no quesito Educação. E quem traz essa evidência agora é um relatório do Banco Mundial, utilizando dados do PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos. O relatório é de escandalizar ao revelar que, no ritmo evolutivo atual, os estudantes brasileiros precisarão de 260 anos para atingir o nível de proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. No caso de matemática, o escândalo é um pouco menor: a previsão é de que os brasileiros precisarão de “apenas” 75 anos para atingir a pontuação média dos países desenvolvidos.

O PISA é o principal indicador internacional de educação e, a cada três anos, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realiza essa avaliação entre 70 países, incluindo o Brasil. O resultado tem sido o mesmo: estamos entre os 10 ou 12 piores. Traduzindo: desde sempre, estamos muito mal na fita, eixando às claras que a educação não é de fato uma prioridade. O grave, tanto nos dados do PISA quanto na avaliação feita pelo Banco Mundial, é que o fosso está se ampliando ano após ano. Em alguns aspectos, estamos ficando para trás, mais distantes dos países mais ricos – o que é um alerta quando ao futuro do próprio Brasil.

Na avlaiçaõa mundial, o maior problema atinge particularmente a África, onde a proficiência em leitura para um aluno de 3º ano do Ensino Fundamental alcança apenas 10% dos avaliados. Mas a América Latina não pode comemorar: essa média é de 40%, a metade da registrada na Europa. Em alguns itens, o Brasil fica abaixo da média latina, o que certamente é uma péssima notícia.

O relatório do Banco Mundial aponta caminhos para que o nivelamento do Brasil não precise demorar os 75 anos (para ter o mesmo nível em Matemática), tampouco os 260 anos para o caso de leitura. Um desses caminhos é a mudança da grade curricular – nesse sentido, há sinal positivo para as mudanças aprovadas no ano passado, qe começam a ser introduzidas a partir de 2018. Mas ainda há muito a ser feito em dois outros campos: a qualificação do professor e a estrutura escolar.

Nossos professores não têm a remuneração adequada e menos ainda a formação desejada. Essa formação não quer dizer apenas um curso superior na área, mas uma permanente reciclagem que inclui novos métodos e novas ferramentas de ensino. Quando às escolas, há uma gritante inadequação às necessidades básicas do ensino.

Isso tudo quer dizer apenas uma coisa: temos que andar muito até alcançar uma educação que seja considerada pelo menos mediana.
 

Governo muda programa de formação

O diagnóstico está feito e aponta para a necessidade de melhor qualificação do professor como caminho para melhorar a educação. Pois ontem, no mesmo dia em que o Banco Mundial divulgava o relatório sobre a tragédia do ensino brasileiro, o presidente Michel Temer anunciava mudanças na formação de professores.

Segundo o governo, haverá um investimento de R$ 1 bilhão em um programa de qualificação doecente. E a mudança principal é a criação de uma Bolsa de Iniciação à Docência, chamada de “Residência Pedagógica”. O edital lançado ontem mesmo vai selecionar 190 mil estudantes  nos dois próximos semestres

Falar em R$ 1 bilhão parece muito. Não é. É um alento. Mas representa menos de 0,03% do PIB e está longe de traduzir o esforço necessário para fazer da educação um real instrumento de transformação da sociedade.