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Brasil gasta R$ 16 bi com reprovação de alunos. O custo é só esse?

Educação: reprovação o ensino básico causa perda financeiras de R$ 16 bilhões e um custo social ainda maior 
 

Dados divulgados nacionalmente apontam que o Brasil perde R$ 16 bilhões a cada ano por conta das reprovações de alunos nas escolas públicas. O valor se refere ao custo de um aluno que precisa repetir uma série e inclui gastos, por exemplo, com material escolar e salários dos professores. O cálculo, no entanto, é polêmico. Mas bem que pode trazer um debate sobre a caótica educação brasileira.

Esse valor corresponde a 8% do que o governo federal investiu em educação no ano de 2016, a base do estudo. A maior parte da conta da repetência – dois terços, ou R$ 12 bi – ficou com os municípios, que respondem pela maior parte dos estudantes. No total, 3 milhões de alunos repetiram uma série. No Brasil, a média global de reprovação é pouco acima de 10% dos alunos. O Piauí está por aí: 12,8% de reprovações no ensino fundamental e 9,2% no ensino médio.

Dados postos, ficam algumas perguntas: temos um sistema educacional pelo menos razoável? Temos escolas estimulantes? E o custo da reprovação, é só o impacto nas finanças dos governos?

A primeira discussão que essa constatação traz é sobre o modelo de ensino: se o seriado ou o por ciclos. O seriado é mais rigoroso quanto à reprovação. Já o que adota o sistema de ciclos – caso de São Paulo e Ceará –, a reprovação é desestimulada. Falando grosseiramente, o aluno passa “pela idade”.

O sistema seriado é o nosso: é preciso o aluno chegar a uma média “x” por matéria para seguir para a série seguinte. No sistema de ciclos, adotado em muitos países desenvolvidos, o aluno cumpre ciclos conforme a idade. O modelo faz tudo para não reprovar, mas não deixa simplesmente passar adiante. O sistema de ciclos faz um rigoroso acompanhamento do nível do aluno e adota sistemáticas para mantê-lo no nível requerido para aquele ciclo, como a oferta de aulas de reforço no contraturno.

Ou seja: quer fazer o aluno passar, mas não quer que ele passe de qualquer maneira.

Nos dois modelos, o êxito passa pelo esforço de fazer da escola um espaço estimulante – o que, infelizmente, não é a regra no país. É algo que precisa ser repensado. Também deve ser repensado o custo social da nossa educação: com ou sem reprovação, a baixa qualidade do ensino forma cidadãos com mais dificuldades no futuro. E esse custo, não tem preço.
 

Passar pra ficar bem na fita

Estudiosos da educação no Brasil têm denunciado um fenômeno cada vez mais presente: a aprovação para gerar estatística positiva para os governos. Ou seja, evita-se reprovar. Passa-se o aluno de qualquer jeito, já que a repetição e a evasão (um dos efeitos da reprovação) comprometem os indicadores do Estado ou do Município. Para o gestor ficar bonito na fita, é proibido reprovar.

Reprovação faz parte da história de nomes que marcaram a Humanidade, pessoas que se reinventaram como gente a partir desse descompassado. Certamente o ideal é que a educação tenha a capacidade de transferir conhecimento que permita o aluno passar de série. Mas, nesse quadro, cabe a pergunta sobre o custo maior: reprovar um aluno ou passá-lo sem que tenha condições de acompanhar a aprendizagem na nova série?