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2018 promete ser a eleição dos rejeitados


Henrique Meireles e Michel Temer: dois dos líderes de rejeição popular no Brasil  (FOTO: Palácio do Planalto/Divulgação)
 

A eleição de 2018 se encaminha para ser a eleição dos rejeitados. Todos os candidatos apresentam maior índice de rejeição que o de intenção de voto. A tendência acaba de ser confirmada por pesquisa do instituto Ipso, realizada para O Estado de S. Paulo. Segundo a pesquisa, os candidatos de centro têm maior reprovação que aprovação. E boa parte segue a estela do presidente Michel Temer, com aprovação que não alcança dois dígitos.

A rejeição dos candidatos segue o clima de rechaço à política em geral. E a rejeição alcança a todos: Lula, Bolsonaro, Alckmin, Maia, Ciro, Meireles etc. Lula, por exemplo, sempre teve em torno de 35% das intenções de voto, mas cerca de 55% de rejeição. Claro, o clima pode mudar no correr da campanha, quando alguns senões são esquecidos em nome da escolha de um candidato que pode se dar tanto por afinidade como pela clássica opção pelo “menos ruim”. Ou seja: a rejeição de muitos pode cair na medida em que fica escondida por uma rejeição maior. O pior esconde o menos ruim.

Mas os dados estão aí, presentes. A pesquisa Ipso (que ouviu 1.200 pessoas em 72 municípios do País, entre os dias 1º e 16 de fevereiro) não estava preocupada em sondar intenção de voto. Faltando sete meses para a eleição, o Ipso abordava o eleitor assim: “Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor(a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no País”.

Os resultados não chegam a surpreender. O presidente Michel Temer (MDB) – que alguns auxiliares querem ver candidato – teve 4% de aprovação, com 93% de desaprovação. Em defesa do presidente precisa-se registrar que a pesquisa foi feita antes da intervenção no Rio de Janeiro.

Outro nome do governo que aspira ao Planalto, o ministro Henrique Meireles (PSD) não tem situação muito diferente: aprovação de apenas 5% dos entrevistados. Ao que parece, o eco da evolução do PIB não ressoa. Talvez o desemprego fale mais alto. Rodrigo Maia (DEM), que abraça teses parecidas às de Meireles, aparece com 4%. A favor dos dois, em comparação com o presidente Michel Temer, vale observar que há o amplo desconhecimento da população. Para o grande público, eles não existem, o que explicaria boa parte da rejeição.

Geraldo Alckmin (PSDB) tem uma aprovação cinco vezes maior que a de Maia: 20%. Em compensação, soma 68% de desaprovação. Jair Bolsonaro está um pouquinho melhor: 24% de aprovação. Mas a desaprovação é mais que o dobro desse índice, chegando a 58%. Pesquisas anteriores apontaram alto índice de rejeição para nomes como Ciro Gomes.

O resumo da ópera é: não escapa ninguém. Ainda que o clima de opinião se altere com o envolvimento emocional do eleitor no correr da campanha, o ponto de partida é óbvio: teremos uma campanha dominada pelos rejeitados.