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Pelo menos no tempo de TV, Temer pode sair na frente

Pouca gente é capaz de dizer se a candidatura do presidente Michel Temer (MDB) ao Palácio do Planalto é pra valer ou se é uma estratégia para limitar as decisões de aliados do governo. Ou ainda se, conforme a crença de muitos, não passa de uma piada alimentada por auxiliares desejosos de fazer um afago no chefe. Mas o que ninguém discute é que, se fosse (ou se for) candidato, Temer teria uma boa fatia do tempo de rádio e TC – o tesouro mais disputado neste momento em que os partidos se movimentam na encenação de alianças.

Tanta atenção ao cálculo do tempo no rádio e TV tem uma razão histórica: quem tem mais tempo para a propaganda eleitoral costuma se dar melhor nas disputas eleitorais brasileiras. Há, claro, casos de candidatos com pouco tempo que se deram bem nas urnas. Foi o caso de Lula em 2002. Mas, na mesma eleição, um desidratado José Serra (PSDB) cresceu precisamente nas costas do horário eleitoral e saiu de quarto para o segundo lugar, sendo derrotado apenas no segundo turno.

Este ano, acredita-se que a propaganda no rádio e TV terá menor peso, diante da campanha mais curta, da redução do tempo e também do crescimento de outros canais, em especial as redes sociais. Mas ninguém duvida que a centralidade da TV segue firme, o que alimenta a disputa por aliados que vão garantir tempo aos candidatos.

O tempo no rário e TVF é distribuído proporcionalmente à representação parlamentar dos partidos, criando um “top five”: MDB, PT, PP, PSDB e PSD. Quem tem esses partidos em uma aliança ganha enorme reforço no horário eleitoral. É aí que muitos colocam Michel Temer, se não como candidato, pelo menos como um aliado importante, na condição de controlador do MDB.

Se vier a ser candidato e atrair para seu grupo partidos como PSD, PP, PTB e DEM, Michel Temer poderia ter até a maior fatia de tempo – avalia-se que passaria de 5 minutos por programa. Em contrapartida, o vice-líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), assim como Marina Silva (REDE), poderia ter meros 12 segundos na TV – menos do que Enéas em 1989. Como tempo (em tese) é voto, há uma enorme disputa pelo apoio de siglas do quilate de PP, PSD e PTB. Algumas delas, como o PTB, estão se encaminhando para apoiar o tucano Geraldo Alckmin. Mas não tem nada certo.

No campo da esquerda, o único que entra no “top five” é o PT, que vive uma situação bem diversa das três últimas campanhas, quando a força do poder inflaram o tempo de Lula e Dilma. Agora o PT tem poucas chances de construir uma grande aliança, até porque aliados naturais – como o PCdoB, PDT e PSOL – estão com candidaturas próprias nas ruas.

Mas cabe repetir outra vez: nada está definido. Muitos candidatos – como Fernando Collor (PTC) e Paulo Rabello (PSC) – vão se manter nas ruas até julho. Quando chega a fase das convenções, se não conseguirem se mostrar viáveis, podem mudar de estratégia e buscar alianças. Assim, poderão ter algum peso em um governo que carregue o carimbo de outra sigla.

Confira abaixo algumas possibilidades de soma de tempo em torno de algumas candidaturas, simulação feita pelo jornal Correio Braziliense. Vale lembrar, algumas siglas são contabilizadas em mais de uma candidatura, já que neste momento são objeto de encarniçada disputa política.