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A eleição dos 15%


Michel Temer, com Henrique Meireles: sonho eleitoral baseado em 15% dos votos  (FOTO: Agência Brasil)

 

As eleições deste ano podem ficar para a história como as eleições dos 15%. Que os apressados não tirem conclusões: o percentual se refere ao número mágico a ser perseguido como meta de desempenho eleitoral para que um candidato esteja em condições de entrar na disputa pelo segundo turno na corrida pela presidência da República.

O quadro deste ano se mostra mais fragmentado que na disputa de 1989, sempre apontada como a mais fragmentada: na época, apresentaram-se ao eleitor nada menos que 22 candidatos (21 foram oficialmente votados, já que uma candidatura foi impugnada). Ainda naquela primeira disputa pós-redemocratização, o segundo colocado (Lula) teve apenas 17,18% dos votos, ainda assim garantindo um lugar no segundo turno. Naquele ano, quatro candidatos tiveram mais de 10% dos votos: além dos 17% de Lula, Collor teve 30,47%, Brizola chegou a 16,51% e Covas registrou 11,51%.

Este ano, as projeções apontam para cinco, seis ou até sete nomes com potencial para os dois dígitos: Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia, o candidato do PT o candidato do MDB (ou aquele apoiado pelo governo: Meireles? Temer?) e também Marina Silva, que ainda não caiu em campo. Este é o cenário de hoje, que pode se alterar com a desistência de um ou a chegada de outro, além da sempre presente possibilidade da perspectiva de desempenho eleitoral não se materializar.

Daí, os estrategistas dos candidatos acreditam que quem passar dos 15% estará com chances reais de alcançar o segundo turno. E por isso há tantos candidatos, todos certos de que têm tal capacidade.

Foi embalado neste cálculo que o presidente Michel Temer chegou a alimentar o sonho da candidatura à permanência no Planalto. Cálculo simples para a realidade brasileira: a força do governo seria suficiente para arregimentar votos para ultrapassar esse umbral. Foi aí que resolveu apostar alto em temas como a segurança pública. Mas talvez não contasse com a quebra do sigilo bancário determinada pelo STF – o que levou a discussão em torno de Temer para outro campo, o de uma nova denúncia.

Com ou sem Temer, os demais candidatos seguem pensando nos 15%: passar desse patamar seria a real viabilidade eleitoral. Rodrigo Maia aposta nisso, contando com a costura de um amplo leque de apoios político-partidários. Também segue sendo o cálculo do Planalto, talvez com Henrique Meireles. E de Alckmin e Ciro Gomes.

Nesse jogo todo, Jair Bolsonaro parte na frente, há muito registrando índices acima desse patamar. Neste caso, o desafio é para não sair daí, já que carrega uma candidatura com pouco apoio de lideranças políticas e com apenas uma nesga do tempo de propaganda no rádio e TV.

Outro que deve ser olhado com atenção é o PT: Lula não estará na urna, mas faz tudo para estar no palanque. Tende a transferir muito voto para o nome a ser levado às ruas pelos petistas. O partido também faz esse cálculo: acredita que o substituto de Lula terá boas chances de passar dos 20% dos votos. Se assim acontecer, deve ser um dos dois presentes no segundo turno.

Seja como for, a meta geral é os 15%. A partir daí, o postulante entra pra valer no rol dos candidatos viáveis.