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Temer decide correr atrás dos 15%


Michel Temer: decidido a se candidatar, presidente deve fazer da reforma ministerial alicerce de sua base eleitoral  (FOTO: Palácio do Planalto/Divulgação)

 

O presidente Michel Temer parece mesmo decidido a disputar as eleições deste ano. A ideia deixou de ser um burburinho de auxiliares devotos para ganhar a forma de articulação política. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a decisão não apenas está tomada como o presidente já a está comunicando aos aliados. O comunicado tem uma entrelinha mais que visível: essa decisão vai ter efeito nas mudanças ministeriais que acontecerão em menos três semanas.

Como a coluna destacou aqui no sábado, a disputa deste ano está se transformando na eleição dos 15%. Isto porque, na visão dos estrategistas, o candidato que rompe a barreira dos 15% dos votos ganha real competitividade, podendo mesmo chegar ao segundo turno. Esse índice tão baixo é reflexo da alta fragmentação eleitoral projetada para este ano, onde até sete postulantes ao Palácio do Planalto apresentam potencial para chegar aos dois dígitos.

O presidente está apostando na própria candidatura acreditando que, com a força do governo, pode sim passar dos 15% e chegar ao segundo turno. Ele aposta ainda numa melhora de popularidade, a partir de um melhor cenário na economia e de respostas positivas das ações que vem adotando na segurança. Além disso, essa não será só a eleição dos 15%: será também a dos rejeitados.

Os candidatos dos principais partidos apresentam altíssimo índice de rejeição, em grande medida reflexo da rejeição à própria política. É como se houvesse um nivelamento por baixo – o que anima os estrategistas que cercam o presidente Michel Temer.

Temer quer ter como base de campanha o seu próprio partido, dono da maior fatia do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda no rádio e TV. Mas quer contar mesmo é com a força da caneta, mesmo em um fim de mandato. E aí é onde a reforma ministerial vai ter peso. Após as mudanças que fará no início de abril, o presidente quer deixar na Esplanada do Ministério apenas os partidos que tiverem compromisso com seu sonho de permanecer no Planalto.
 

Mudança atinge pelo menos 9 ministérios

Pelo menos 9 dos atuais ministros que ocupam cadeira na Esplanada do Ministério deixarão seus cargos até 7 de abril. Esta é a data limite (seis meses antes da eleição) para desincompatibilização daqueles que desejam disputar cargos eletivos em 7 de outubro. Alguns nomes seguem em dúvida, como Henrique Meireles (Fazenda), que sonha ser candidato mas vê pouco apoio para tanto.

Segundo levantamento feito pelo Portal do Grupo Globo, são esses os ministros que já decidiram sair para a disputar eleitoral:
• Fernando Coelho Filho (sem partido-PE): Minas e Energia
• Helder Barbalho (MDB-PA): Integração Nacional
• Leonardo Picciani (MDB-RJ): Esporte
• Marx Beltrão (MDB-AL): Turismo
• Maurício Quintella (PR-AL): Transportes
• Mendonça Filho (DEM-PE): Educação
• Osmar Terra (MDB-RS): Desenvolvimento Social
• Ricardo Barros (PP-PR): Saúde
• Sarney Filho (PV-MA): Meio Ambiente

Ainda seguem em dúvida os seguintes ministros:
• Gilberto Kassab (PSD-SP): Ciência, Tecnologia e Comunicações
• Henrique Meirelles (PSD-SP): Fazenda

Não se manifestaram mas devem permanecer nos cargos:
• Alexandre Baldy (PP-GO): Cidades
• Aloysio Nunes (PSDB-SP): Relações Exteriores

Ministros que já decidiram permanecer no governo:
• Blairo Maggi (PP-MT): Agricultura
• Carlos Marun (MDB-MS): Secretaria de Governo
• Eliseu Padilha (MDB-RS): Casa Civil
• Moreira Franco (MDB-RJ): Secretaria-Geral
• Raul Jungmann (PPS-PE): Segurança Pública