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Semana coloca ‘pingos nos is’ com Lula e filiações

Supremo Tribunal Federal: decisão da Corte na quarta-feira terá grande importância no desenho do cenário político deste ano

 

No roteiro da política nos últimos meses, nem se pode mais falar em data decisiva. Com escândalos, assassinato, ataque, delações, denúncias e prisões se sucedendo a um ritmo inimaginável, cada semana vai se tornando decisiva. E esta será mais uma, com pelo menos – é bom que se ressalte: pelo menos – dois fatos importantes. Um, o julgamento do habeas corpus preventivo de Lula; outro, o fim do prazo para filiações partidárias.

O habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Lula no Supremo vai trazer luz sobre outros dois ângulos, da política e justiça nacional. Vai dizer se Lula fica em liberdade – e os arranjos levam a crer nisso, que o condenado e inelegível Lula vai seguir livre e em campanha, fazendo de conta que é candidato pra valer e carregando Fernando Haddad no ombro. E vai dizer muito sobre a possibilidade de prisão em segunda instância, apontando para uma provável revisão da jurisprudência afirmada pelo próprio Supremo.

Vai ser interessante ver Gilmar Mendes defendendo a posição de interesse dos petistas. E mais ainda vê-lo abraçar uma revisão que deve gerar um mundo de solturas, incluindo até mesmo nomes muito “queridos” do país, como Eduardo Cunha e Antonio Palocci.

Outro fato que coloca os pingos no is é o fim do prazo para troca de partido, tendo em conta a eleição deste ano. Isso vale no cenário nacional e especialmente na esfera local. Espera-se a filiação de João Vicente Claudino no PTB e, mais ainda, o que isso desencadeará: Janaína Marques e Nerinho permanecem na sigla? Espera-se ainda a definição de Firmino Paulo, se vai para o PP ou o PDT, e também o que dirá esta semana. Aí a expectativa é o que dirá de seus quase-ex-aliados, em especial de Marden Menezes.

Seja como for, a semana que hoje começa vai definir mais claramente de que lado (ou pelo menos em que partido) cada um se posiciona, como esboço do cenário que as convenções (em julho e agosto) darão cores mais vivas e contrastes mais acentuados.

Esta semana também pode ser lembrada como aquela que começa com o domingo da ressurreição, apontado renascimentos de alguns nomes postos em cena. Mas como há incrédulos no jogo, pode significar tão somente o calvário político, sem vida após a morte.
 

Sim, pode haver nova denúncia contra Temer

Nesta semana que promete tantas definições imediatas e com reflexos futuros, há o prazo para desincompatibilização. Saberemos quantos membros do governo deixarão seus cargos para disputar eleição. Quanto ao prefeito Firmino Filho, parece não haver mais dúvidas: ele fica onde está, fora da corrida por cargos. Falta ainda ele definir como se portará na campanha.

Outra dúvida: haverá nova denúncia contra Michel Temer? A pergunta cabe depois da prisão de auxiliares que trazem luzes (e desconforto) sobre a relação potencialmente não republicana do presidente com essas pessoas. No Congresso, aposta-se em uma nova denúncia por parte da PGR. Pode até não acontecer esta semana. Mas a simples possibilidade deve tirar de vez a ideia dos palacianos de colocar o presidente no embate eleitoral.

Ou não?