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Brasil agride seus rios e paga caro pela poluição desenfreada


Aguapés do Rio Poti: fenômeno se repete com frequência em razão da poluição das águas em Teresina

 

País com o maior volume de água doce do planeta, o Brasil vai mostrando que cuida mal de seus mananciais. A realidade é que os rios brasileiros, em especial os que cortam as grandes cidades, estão poluídos. O mais grave é que os programas de despoluição – como o do Tietê em São Paulo; o da baia da Guanabara, no Rio de Janeiro; e do Capibaribe, em Recife – se arrastam por décadas sem resultados notáveis. No caso de outras capitais – Teresina entre elas –, carecem até de projetos.

A singular situação do Brasil como maior depositário de água doce tem muito a ver com a Amazônia. No resto do país, há problemas sérios, desde o desmatamento que agride os cerrados até a quase-morte de rios como o Tietê e a agressão monumental à baia da Guanabara. Tal situação é resultado de um dado vexatório: 45% da população urbana brasileira não tem esgoto tratado e lança seus resíduos nos rios.

O grave é que há quase 30 anos gasta-se horrores na recuperação desses mananciais. Quase sem efeito.

No caso do Tietê, desde 1992 já foram investidos cerca de R$ 9 bilhões na tentativa de despoluição de suas águas. A realidade é muito distante do sonho: o rio é considerado morto em um trecho de 130 km, entre Itaquaquecetuba e Cabreúva, conforme dados da ONG SOS Mata atlântica. Em outros trechos, a situação não é para se festejar.

No caso da baia da Guanabara, as tentativas de despoluição consumiram mais de R$ 2,5 bilhões, entre 1994 e 2006. Depois disso, outra fabula foi jogada na baia, na tentativa de preparar o espaço para as Olimpíadas. Também sem efeito: a qualidade da água foi um dos pontos a gerar mais reclamação dos atletas na Rio 2016.

Os problemas não ficam restritos às duas maiores metrópoles do país. Há o caso de Recife e Salvador, com programas em andamento – com ritmo e resultado semelhantes aos de Rio e São Paulo. Outras capitais também se ressentem de ações específicas.

O Piauí enfrenta graves problemas em relação aos seus rios. A baixa qualidade da água do Poti pode ser medida pelos frequentes aguapés que cobrem boa parte da superfície do rio nas proximidades de Teresina. Mas talvez o maior problema no Estado seja o desmatamento que afeta o Parnaíba e afluentes como o Gurgueia.

Tanto um quanto o outro vão mostrando espelhos d’água cada vez mais largos e profundidade cada vez menor. Há pelo menos duas décadas reclama-se uma saída para o problema. Sem uma ação consistente, o problema apenas se agrava.