Cidadeverde.com

PT agora terá que ativar o Plano B

Lula: possibilidade de prisão do ex-presidente pode levar PT a lançar um outro candidato na corrida pelo Planalto  (FOTO: PT/Divulgação)

 

Após a derrota no Supremo Tribunal Federal ontem, o PT faz os cálculos e toma duas atitudes. Da porta pra fora, vai dizer que Lula segue candidato, que ainda acredita em alguns recursos – inclusive uma liminar no STF – e até na revisão da decisão de 2016, que sacramentou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. Da porta pra dentro, no entanto, o PT vai ter que ativar de uma vez por todas um Plano B.

O Plano A, chamado Lula, vê cada vez mais distante até mesmo a possibilidade de fazer do ex-operário um trampolim para o candidato real, aquele que vai estar na urna. A ideia era que Lula saísse Brasil afora fazendo de conta ser candidato, mas levando nas costas o candidato real. Essa possibilidade reduziu muito, depois de ontem.

Daí a necessidade do Plano B sair do papel.

O PT já tinha discutido a possibilidade de apresentar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como o candidato a vice de Lula. A intenção real era permitir que Haddad estivesse nos palanques de Lula em todo o país. Isso facilitaria a substituição oficial de um pelo outro, quando o TSE oficializasse a inelegibilidade de Lula, lá para o final de agosto.

Diante da redução da margem de manobra, o Plano B pode ser colocar Haddad em cena de uma vez por todas. E logo. Alguns – inclusive dentro do próprio PT – alimentam dúvidas quanto à capacidade do ex-prefeito de São Paulo deslanchar nas intenções de voto. Mas é maior a crença de que a força do partido será suficiente para levar Haddad para o segundo turno.

As chances no segundo turno passariam, sobretudo, pela capacidade de diálogo do candidato com os mais diversos segmentos da sociedade. Se Lula tem um apelo popular sem parâmetro no PT, hoje Haddad talvez reúna mais que o ex-presidente a capacidade de diálogo com setores não tão afeitos ao partido. Com o discurso do “nós contra eles”, Lula criou áreas de atrito que só a perspectiva de poder poderia contornar.

A eleição de outubro tende a ser nivelada por baixo. O segundo turno tende a favorecer àquele que reúna mais condições de pacificar o país. Para tanto, as animosidades e o confronto não servem de carta de apresentação. Tampouco o discurso divisionista.

Neste sentido, o Plano B do PT identificado em Fernando Haddad pode ser uma alternativa até interessante para o sonho do partido de manter-se no poder.