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Lula decide apostar em resistência contra prisão


Senador Roberto Requião: pregando a resistência contra a decisão judicial que levou à ordem de prisão contra Lula   (FOTO: Senado Federal)

 

O PT decidiu apostar no confronto, mais uma vez, contra a Justiça: Lula não vai se entregar espontaneamente e espera ser preso pela Polícia Federal. A decisão afronta as instituições. Mas o cálculo é político: manter a luta e colocar Lula como vítima e antítese do sistema. É uma decisão que coloca em xeque as próprias instituições democráticas.

A decisão de que Lula não acataria o mandato de prisão – que dá o prazo até 17h para que se apresente espontaneamente à Justiça Federal em Curitiba – foi divulgada ainda na metade da manhã por fontes do próprio PT. E logo seria confirmada por Rui Falcão, ex-presidente do partido.

Desde o início do processo, o PT abraçou a politização como caminho, e insistiu na tese de que Lula estava sendo vítima de um grande acordo político. Manteve essa tese na primeira instância, quando Lula foi julgado por Sérgio Moro. Permaneceu com esta leitura no julgamento em segunda instância, no TRF4 e voltou a denunciar, quando do julgamento no Supremo Tribunal Federal, o interesse político de tirar o ex-presidente da disputa.

O senador Lindemberg Farias (PT-RJ) chegou a dizer que o único crime cometido por Lula, para justificar o processo, é o fato de liderar as pesquisas para o Planalto.

Foi o mesmo Lindemberg o primeiro a pregar a resistência. Fez isso ainda na manhã de ontem, poucas horas depois de encerrado o julgamento no Supremo. Fazia um chamamento para que todos estivessem em São Bernardo, residência de Lula. Ele mesmo foi ainda ontem de manhã para a cidade paulista, onde recebeu a notícia do mandato de prisão. Aí, voltaria a proclamar a resistência.

As vozes pela rejeição à decisão judicial se multiplicaram dentro do PT. E também junto a aliados próximos, como senador Roberto Requião (MDB-PR). Requião aproveitou um pronunciamento do senador Paulo Paim (PT-RS) para fazer o chamamento aos brasileiros. Vale observar, quando fez o aparte à fala de Paim, Requião presidia a sessão. E disse que a resistência é o único caminho para defesa da democracia.

Mas é a decisão de Lula não se entregar o principal chamamento à resistência. O ex-presidente vai se manter em São Bernardo, e dentro do Sindicato dos Metalúrgicos. Talvez queira esperar que a própria polícia vá buscá-lo, para dar demonstrações que não aceita a prisão. Também deixa claro que não aceita as decisões judiciais.

O fato, já ontem, da prisão surpreendeu o país. O chamamento à resistência talvez surpreenda mais, sobretudo pelas conseqüências que pode ter para a democracia.