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Ciro Gomes, uma alternativa para a direita e o mercado?

Ciro Gomes: em um partido do campo da esquerda, o presidenciável dialoga com integrantes da centro-direita

 

Em um cenário de alta fragmentação em que sobram candidatos e faltam opções, a centro-direita e o mercado buscam um nome que possa ser depositário de seus anseios no Palácio do Planalto. As alternativas mais atraentes a esses segmentos – Rodrigo Maia (DEM) e Henrique Meireles (MDB) – simplesmente não decolam e o tempo de espera está acabando. Na falta de caminho seguro, a opção pode ser um nome que é identificado com a esquerda: Ciro Gomes (PDT).

Apesar do discurso incisivo e de crítica à direita, Ciro tem uma trajetória onde tem mais relação com a direita e a centro-direita que com a esquerda. Foi governador com estreito vínculo com o segmento empresarial, a começar pelo padrinho que o levou ao comando do Executivo do Ceará, o agora senador Tasso Jereissati, que entrou na política precisamente por sua representatividade como líder do Centro Industrial do Ceará.

Ciro também foi ministro de Itamar Franco, como administrador do Plano Real em sua fase inicial – à época em sintonia com Fernando Henrique Cardoso, visto como o pai do Real. Naquele momento, Ciro era do PSDB. Mas antes já estivera no PDS e PMDB. Depois passaria por PPS e PSB, além de patrocinar o PROS. Por fim desembarcou no PDT.

O presidenciável do PDT é visto como preparado, mas também como destemperado, funcionando às vezes como uma metralhadora giratória que não escolhe alvo. Tal comportamento foi criando uma imagem de instável e inconfiável – tudo o que o mercado não deseja de um presidente.

Ainda assim, Ciro estende ponte para a centro-direita e o mercado. Recentemente teve encontro com o seu xará piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressista, partido que tem o propósito de sair das urnas com a maior bancada da Câmara Federal. O Progressistas quer, assim, ser o centro do “centrão” e se transformar o fiel da balança do governo, qualquer que seja o governo de plantão no Planalto.

O presidenciável do PDT é amigo do senador piauiense há muito tempo. Mas um encontro desses não acontece por acaso, ainda mais em um momento que o Progressistas avalia as perspectivas dos presidenciáveis e os pré-candidatos sondam potenciais apoios. Pode dar jogo.

Ao mesmo tempo, Ciro Gomes lança sinal para o mercado, usando interlocutores que podem reduzir as resistências a seu nome. Para agradar de vez ao grande empresariado, falta só escrever uma “Carta ao Povo Brasileiro”, no estilo da que Lula fez em 2002.

Se precisar, ele escreve. Pode funcionar como uma larga ponte até a viabilidade eleitoral.