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A 6 meses da eleição, Brasil tem disputa totalmente aberta


Marina Silva: líder da Rede tem boa resposta popular mas pouca estrutura política, o que pode complicar candidatura

 

As pesquisas de projeção eleitoral já publicadas até agora, vinham apontando apenas três nomes com dois dígitos nas intenções de voto: Lula (PT), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Líder das sondagens, Lula tem um impedimento jurídico, condenado e preso no caso do triplex. Já os outros dois enfrentam sérios problemas políticos para se credenciarem como efetivos concorrentes ao Planalto. Diante desse cenário, pode-se dizer que a disputa presidencial deste ano está completamente aberta.

Nem Marina nem Bolsonaro contam com a capilaridade encontrada em nomes menos citados, como Rodrigo Maia, Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin. Os dois candidatos mais votados nos cenários sem Lula estão em siglas sem grande capilaridade ou robustez. O PSL, por exemplo, era um arremedo de partido antes de Bolsonaro. Ganhou alguns parlamentares no Congresso e soma lideranças que desembarcam na sigla calculando que podem cresce às custas do representante da direitona. Mas segue pequeno.

O Piauí é um exemplo dessa pequenez política da candidatura Bolsonaro: o candidato ao senado que o PSL apresentará no Estado é um político que sequer se reelegeu vereador de Teresina. Tem mais: caso não consiga atrair alianças, o tempo de TV que Bolsonaro contará será de 12 segundos por bloco.

Esse também é o tempo de Marina Silva, embora a ex-senadora possa apresentar um suporte mais amplo tanto partidário quando dos movimentos sociais. Mas Marina vive uma situação bem mais complicada que nas duas outras campanhas, em que ficou em terceiro lugar na corrida pelo Planalto. Nem mesmo aliados “naturais” como o Partido Verde estão dando muita atenção à represente da Rede.

Para completar o quadro aberto, as pesquisas apontam um número enorme de eleitores ainda sem uma opção. Há um vácuo especialmente no centro da escala ideológica, que ainda não se decantou por nenhuma das opções postas na mesa. Em tal cenário, há um eleitorado enorme completamente órfão de alternativa, incluindo aqueles que desejam anular ou votar em branco.
 

A diferença do Brasil para França e EUA

Quando se diz que Bolsonaro e Marina são carentes de estrutura política, há sempre uma lembrança a desacreditar essa afirmação: Donald Trump (Estados Unidos) e Emmanuel Macron (França) venceram as eleições sem tal estrutura. Macron disputou por um partido recém-criado. E Trump tornou-se candidato do partido Republicano sem o aval dos seus caciques.

A leitura dos casos francês e norte-americano é que esse tipo de estrutura não é mais imprescindível, sobretudo em tempos de desapego político – isto é, os vínculos partidários despencam – e de novos canais de comunicação, como as redes sociais. É nisso que apostam Marina e Bolsonaro. Caso sejam exitosos em suas candidaturas de pouca estrutura, mostrarão que o Brasil mudou. Porque, aqui, a liderança política conta muito e o espaço de propaganda no rádio e na TV sempre teve importante protagonismo na fase final da disputa.