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Esquerda precisa se unir para garantir 2º turno, diz cientista político


Renato Lessa: defesa de criação de uma Frente Ampla das esquerdas para garantir competitividade

 

A prisão do ex-presidente Lula deve levar a esquerda a adotar uma nova estratégia, com vistas às eleições presidenciais deste ano. Pelo menos é a tese do cientista político Renato Lessa, professor e pesquisador PUC-Rio e da Universidade de Lisboa. Vale lembrar, Lessa é um pensador considerado alinhado com a esquerda.

A proposta de Renato Lessa vai na contramão das múltiplas candidaturas de partidos de esquerda: PT, PDT, Rede, PCdoB e PSOL têm candidatos postos nas ruas. Mas, ao avaliar o cenário sem Lula, o cientista político diz que as esquerdas precisam se unir em torno de uma candidatura mais unificadora sob pena de perder protagonismo e enfrentar o risco até mesmo de ficar fora do segundo turno eleitoral.

As pesquisas até agora publicadas sempre colocaram Lula em primeiro, seguido de Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Marina e Bolsonaro são vistos como desprovidos de consistente apoio político. Mas o represente da ultradireita vem sendo o depositário da maior fatia dos votos de protestos, o que dá uma perspectiva mais sólida ao candidato do PSL.

Em contrapartida, a ausência de Lula amplia as dúvidas da esquerda, com tantos candidatos pegando pedaços do eleitorado desse campo. Nos cálculos de Renato Lessa, os candidatos do campo das esquerdas podem somar mais de 35% dos votos e não terem expressão nas eleições desde ano, diante da fragmentação. Daí acredita que o caminho é buscar um candidato que reúna as principais forças do campo ideológico.

Lessa propõe a formação de “uma Frente Ampla de recomposição da democracia” nos moldes do Uruguai, que vem se renovando e mantendo o país sob controle das esquerdas. “Seria interessante que o Ciro Gomes [do PDT] conversasse com o Fernando Haddad [do PT], a Manuela D'Ávila [do PCdoB] e alguém um pouco mais para o centro. A criação de uma frente ampla voltada para a recuperação do ambiente democrático e sinalizando pautas de igualdade social. E Lula deveria deixar uma mensagem de convergência”, disse ele à Folha de S. Paulo.

A ideia abraçada por Renato Teles deve ter em Ciro o primeiro desafio: no sábado, ele foi a notada ausência no comício de Lula antes do ex-presidente seguir para Curitiba. Esse gesto afasta ainda mais Ciro do PT.
 

Centro-direita precisa da mesma estratégia

A centro-direita bem que pode olhar a estratégia que Renato Lessa sugere para a esquerda. Lá, a divisão parece maior, com diversos candidatos – Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia, Henrique Meireles, Flávio Rocha, João Amoedo –. E nenhum deslanchou. E não há uma perspectiva desenhada, pelo menos até agora, no sentido de unificar candidaturas.

Pode ser que o desempenho futuro – aferido lá para o final de junho – vá levar à convergência de candidaturas. Por enquanto, é cada um por si.