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Candidatura de Joaquim Barbosa gera dúvidas no PSB

Joaquim Barbosa: personalidade forte do ex-ministro do STF deixa dúvidas em parte dos agora correligiosnários do PSB

 

Todo político que se filia a um partido com a expectativa de ser candidato gosta de badalar o fato, ganhar visibilidade e mostrar força política. Com Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal que na sexta-feira se filiou ao PSB, foi diferente. O ato de filiação foi quase clandestino, às escondidas e sem espaço para os políticos do próprio partido. O gesto de Barbosa gera dúvidas dentro do PSB, tanto sobre sua conduta quanto em relação à própria candidatura.

As primeiras dúvidas vêm da própria personalidade do ex-ministro, visto como pouco flexível e muito afeito às suas ideias sem contemporizações. Tanto que a filiação ao PSB dividia o partido: uns festejaram e incentivavam, outros torciam o nariz. No ato de filiação, Joaquim Barbosa não convidou sequer os que aplaudiam sua chegada.

O ex-ministro do Supremo admite ser candidato, embora essa possibilidade ainda não esteja de fato concretizada. Pode ser. Mas pode não ser. Porém, ele deixa claro: se for candidato será abraçando a ideia de uma outra política, longe das práticas que pariram o Mensalão e a Lava Jato. O combate à corrupção seria, assim, uma das propostas de Joaquim Barbosa.

É aí onde se justifica a filiação quase como um ato privado: ele não quer ser associado à velha política, mesmo no caso de políticos sem qualquer denúncia. Joaquim Barbosa quer ser uma espécie de antipolítica. E isso preocupa uma parte do PSB.

Há uma avaliação no partido de que o ex-presidente do Supremo pode ter uma boa resposta eleitoral, avançando sobre um eleitorado descrente da política e dos políticos – que em geral anuncia a disposição de não votar ou votar nulo. Internamente, acredita-se até que possa ir para o segundo turno, onde as chances de vitória dependeriam do adversário.

Mas há também a avaliação de que uma sonhada vitória de Joaquim Barbosa poderia repetir o “ganhou, mas não levou”, diante de um personagem sem jogo de cintura e de pouco trato até mesmo com os que o rodeiam. Poderia fazer uma administração distante de atores fundamentais na política e na sociedade.

Collor e Dilma já mostraram no que pode dar tudo isso.