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Principais presidenciáveis têm pendências com a Justiça

Jair Bolsonaro: presidenciável do PSL é réu em processos por apologia ao estupro, homofobia e racismo

 

Lula foi o primeiro. Mas pode não ser o último dos pretendentes à Presidência da República a ser condenado. Sim, porque o quadro da disputa presidencial deste ano é bem tradutor da realidade brasileira, onde as pendências com a Justiça alcançam boa parte do mundo político. Entre os presidenciáveis, um foi condenado, dois são réus e 6 foram denunciados pu citados nas investigações ds Lava Jato.

O quadro aponta para duas situações. A primeira, que a ideia de que esta será a eleição "do novo e do antipolítico" está muito distante de se concretizar – a não ser que um “Joaquim Barbosa da Vida” surpreenda. A segunda, que o mundo de escândalos não intimidou os pretendentes: dos nove envolvidos com a Justiça, oito estão aí nas ruas, em campanha e encarando o eleitor sem-cerimônia.

A Lava Jato é o principal problema dos presidenciáveis e de outros políticos, em especial deputados e senadores. São mais de 100 denunciados. Mas a grande maioria vê os processos andando a passos de cágado: com o foro privilegiado, os processos vão para o Supremo Tribunal Federal (STF). Não é mais o caso de Geraldo Alckmin, que renunciou ao governo de São Paulo no dia 6. Alckmin, no entanto, recebeu um prêmio: viu o Superior Tribunal de Justiça transformar seu caso em processo eleitoral.

A Lava Jato não gostou. E pediu para ver o caso – que estava fora do seu alcance pelo foro especial que protegia Alckmin até deixar o governo. Agora o tucano é mais um alvo direto da Lava Jato.

Veja a situação dos principais nomes que se apresentam como presidenciáveis:

• Lula (PT): condenado no caso do triplex, em primeira e segunda instância, cumpre prisão em regime fechado em Curitiba. Responde ainda a outros oito processos. Apesar de inelegível por conta da Lei da Ficha Limpa, o PT insiste que ele é candidato.
• Jair Bolsonaro (PSL): é réu em dois processos por apologia ao estupro, homofobia e racismo. Também está na lista da Lava Jato por integrar a lista de políticos que receberam dinheiro do grupo JBS – o valor de Bolsonaro: R$ 200 mil.
• Fernando Collor (PTC): é réu em processo de corrupção desde agosto de 2017. Seu grupo teria recebido R$ 29 milhões de propinas. Responde ainda a outros seis inquéritos no STF. Vale lembrar, foi levado a renunciar ao cargo de presidente após graves denúncias de corrupção.
• Geraldo Alckmin (PSDB): citado na Lava Jato por receber R$ 10 milhões da Odebrecht. Mas não passou disso por conta do foro privilegiado. Agora sem essa regalia, viu a denúncia ir para a Justiça Eleitoral. Mas a Lava Jato está de olho nele, acusando-o de corrupção.
• Rodrigo Maia (DEM): denunciado na Lava Jato em dois inquéritos, por receber R$ 1 milhão da Odebrecht. Em 2017, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou a abertura de inquérito contra Maia.
• Manuela D’Ávila (PCdoB): denunciada na Lava Jato por receber R$ 360 mil da Odebrecht, nas eleições de 2006, 2008 e 2010, valores não declarados.
• Henrique Meireles (MDB): é citado por Joesley Batista, do Grupo JBS, mas não teve o nome relacionado a valores de propina. Foi presidente do Conselho Diretor da JBS.
• Marina Silva (Rede): é citada na Lava Jato, mas não é investigada, já que os valores recebidos (R$ 1,5 milhão) teriam sido legalmente declarados.
• Álvaro Dias (Podemos): foi citado em delações, acusado de cometer irregularidades. Mas a PGR não encontrou elementos suficientes para denunciá-lo.
• Ciro Gomes (PDT): não é citado nas investigações da Lava Jato (apenas seu irmão, o ex-governador do Ceará Cid Gomes).