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Queda de Lula em pesquisa amplia drama do PT

Jaques Wagner: ao substituir Lula em pesquisa, ex-governador da Bahia recebe apenas 1% das intenções de voto

 

O PT vinha fazendo do limão uma limonada: o processo judicial que levou à condenação e prisão do presidente foi uma antecipação da campanha eleitoral, gerando uma emocionalização que normalmente só se alcança lá para o início de setembro, quando a campanha já está pelo meio. Os depoimentos de Lula ao juiz Sérgio Moro foram um show para o eleitorado, assim como a votação em segunda instância. O resultado era Lula crescendo nas pesquisas.

Mas, depois da prisão, o limão permaneceu limão. E com um sabor mais azedo.

A pesquisa do DataFolha publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo mostra que o efeito da prisão foi negativo. Tanto que Lula caiu nas intenções de voto: se em sondagens anteriores ele alcançou 37% das intenções de voto, nesta última – a primeira realizada após a prisão – revelou uma involução, com uma intenção de voto que chegou a 31% no melhor cenário.

O PT sempre teve a capacidade de jogar com o simbólico – ou, se preferir, sempre teve uma alta capacidade de marquetagem. Mérito do partido! E tornou a apostar nesse recursos nesse processo envolvendo Lula, enfatizando uma narrativa que colocava o ex-presidente como vítima e reforçava o culto à personalidade do petista em um processo de mitificação.

O comício anterior à prisão, dia 7, foi o ponto máximo dessa estratégia. Esperava-se que o efeito fosse o das fases anteriores: que Lula saísse fortalecido e pudesse criar uma elevada plataforma de lançamento do real candidato do PT à presidência. A pesquisa DataFolha foi uma ducha de água fria.

A pesquisa revela ainda que 54% dos entrevistados acham que a prisão é justa – um número que é a maioria, mesmo considerando que aqueles que a consideram injusta alcance os expressivos 40%. Há de se considerar que nesses 40% há muita gente que enxerga Lula culpado, mas considera injusta porque deveria alcançar outros culpados espalhados pelo mundo político.

De qualquer forma, não era o que o PT esperava.

A pesquisa mostra uma convicção entre os brasileiros de que Lula não será candidato: 62% dos entrevistados pensam assim. Essa convicção, em muita gente, fica apenas a um passo para a desconsideração do petista no processo eleitoral – o eleitor deixa de levá-lo em conta porque está crente de que ele não estará na urna.

Também preocupa o partido a baixa resposta de outros nomes do PT, conforme a mesma pesquisa. Pelo DataFolha, quando o nome de Lula é substituído por Fernando Haddad, o ex-prefeito de São Paulo chega a apenas 2% das intenções de voto. Desempenho ainda pior tem Jaques Wagner: o ex-governador da Bahia registra apenas 1% das citações.

Com Lula fora do processo e petistas ainda sem grande resposta popular, o PT fica em uma situação muito difícil. Como agravante: preso, Lula não poderá cumprir o papel de “apresentador” do real candidato petista, Brasil afora.