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Filho de Flora no governo do PSDB. Dá o que pensar


Venância Cardoso: filiado ao Progressista e filho de petista, vereador agora desembarcaga da gestão do PSDB de Teresina

 

A indicação do vereador Venâncio Cardoso para uma secretaria na administração comandada por Firmino Filho poderia ser mais uma troca de gestor. Mas não é. Venâncio é mais que um vereador. Ele é um político filiado ao Progressista, é filho da petista Flora Izabel e está entrando na administração comandada por um tucano que está entre o PSDB e o próprio Progressista, além de ter namoro antigo com o governo do petista Wellington Dias.

Enrolado, né?

É sim. Mas é bem revelador tanto da política brasileira como especificamente da situação de Firmino e de Flora.

A deputada Flora Izabel andou um tanto desconfortável na relação com o governo do seu companheiro Wellington Dias. Nas eleições municipais de 2016, avaliou-se que ela estava caminhando para um precipício, perdendo espaço no interior sobretudo por ver seus aliados petistas definharem. Mas não se saiu como as vozes contrárias previam. E conseguiu mais: viu seu próprio filho eleito vereador de Teresina. E por um partido diferente.

O fato de Flora ter um filho no Progressista já diz muito do sistema partidário brasileiro. Logo ela, que é uma histórica do partido no Piauí – milita na sigla desde meados dos anos 1980 –, pediu voto para o filho, instalado em partido de direita. E não se viu maiores reclamações dentro do PT, há muito tomado pelo pragmatismo que faz do senador Ciro Nogueira, o presidente do Progressista, seu mais importante aliado político.

E agora o filho da petista desembarca em uma administração tucana como se fosse só o fruto da aliança do mesmo Progressista com o prefeito Firmino Filho – que tem no mesmo Ciro seu principal aliado político. Venâncio Cardoso assume a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, substituindo seu correligionário Aluísio Sampaio.

A mudança reforça o pragmatismo que norteia a política – toda a política. Reafirma a proximidade de Firmino com Ciro Nogueira, sem deixar de realçar a relação do (ainda) tucano com o grupo que controla o governo do Estado. É como se Venâncio fosse uma espécie de intercessão entre os tucanos e os petistas. E passa a ser mais um membro da administração municipal que vai estar 100% engajado na campanha de Wellington Dias – o candidato que estará no palanque oposto ao do tucano Luciano Nunes.

Mas talvez Luciano seja o que menos importe nessa equação. O pensamento de Firmino, assim como o de Ciro, Flora, Venâncio e Wellington seguem uma lógica bem própria. E talvez em sintonia.