Cidadeverde.com

Educação fica de fora das campanhas. O que é péssimo

Educação: um tema urgente que o Brasil das campanhas eleitorais costuma tratar de forma muito superficial e sem prioridade

 

O discurso é redondo: nada é mais transformador que a educação e, por isso, deve ser a prioridade das prioridades. Ponto. Daí em diante, as falas se tornam ainda mais vazias e, nas campanhas brasileiras, a educação vai se tornando um tema genérico ou mesmo ausente. Nada de concreto. Nada de discussão objetiva sobre as transformações que realmente precisam ser feitas.

A situação da educação brasileira é, para dizer o mínimo, trágica. Avaliação internacional como o PISA – programa de avaliação de alunos, patrocinado pela OCDE – coloca o Brasil na posição 62 em uma lista com apenas 72 países avaliados. Dados da ONG Todos pela Educação reafirmam a tragédia: 7 em cada 10 alunos que terminam o ensino médio não têm conhecimentos básicos de português. Nem de matemática.

As tragédias brasileiras seguem na relação da educação nacional com o professor. A remuneração é pequena, as condições de ensino precárias e a requalificação dos docentes praticamente inexiste. O resultado: ser professor passou a ser uma profissão menor. Segundo a mesma Todos pela Educação, apenas 14% dos jovens brasileiros desejam ser professor.

E, nos discursos de campanha, salvo honrosas exceções, o debate sobre a educação brasileira é um detalhe, quase que para constar. “A educação será prioridade” parece ser a frase que resume tudo, mas que não tem conexão com as práticas governamentais. Talvez porque simplesmente não dê voto. Basta lembrar, em 2006, o senador Cristovam Buarque disputou a presidência da República abraçando sobretudo a bandeira da educação. E teve apenas 2,6% dos votos.
 

Com aula e merenda, está tudo bem?

A educação não parece ter a mesma força do discurso relacionado à segurança ou à saúde. E há razões urgentes para tanto. O cidadão sabe o efeito imediato da saúde precária: chegar no hospital e não ter médico ou leito, é uma tradução imediata da ineficiência, com a possibilidade até mesmo de morte. Há uma “mensuração” óbvia da qualidade da saúde.

O mesmo vale para a segurança. A casa arrombada, o celular roubado ou o espancamento na esquina sem qualquer ação das forças policiais é a medida exata e (literalmente) palpável da falta de segurança. No caso da educação é diferente.

O efeito real de um ano escolar ruim só vai ser efetivamente sentido pelo pai do aluno quando esse garoto chegar ao mercado de trabalho ou for enfrentar um concurso. Se não passar na seleção ou não ganhar a vaga desejada, o pai talvez não faça relação com aquele ano letivo cheio paralisações ou carente de livros, cinco, seis ou dez anos antes.

A avaliação imediata sobre a educação é simples: tem aula e tem merenda? Então está bom.

Por isso a escola de tempo integral é tão desejada. Não é por ser transformadora, até porque certamente não é quando não conta com espaços socializantes e atividades complementares. Mas a escola de tempo integral deixa o aluno o dia inteiro ocupado, e com comida. Enquanto isso, os pais ficam livres para a interminável (e dura) luta pela sobrevivência.