Cidadeverde.com

Economia patina com indefinição eleitoral


Jair Bolsonaro: líder das pesquisas, mas sem dar indicações aos investidores sobre proposta de política econômica

 

Não é só eleitor que anda pensativo e cheio de dúvidas, diante de um quadro político confuso e cheio de candidatos que não inspiram tanta confiança. Também os investidores estão em ritmo de espera, aguardando um sinal mais claro sobre os rumos da eleição e o esboço de política econômica defendida pelo favorito – ou pelos favoritos. Diante da indefinição, a economia patina.

O problema é que não há favoritos e, nessa situação, sequer pode-se esperar algo mais palpável do pós-eleição. Essa situação se torna ainda mais grave tendo em conta que os três nomes que mais se destacam em um cenário sem Lula inspiram mais dúvidas que certezas.

Jair Bolsonaro (PSL), o líder das pesquisas, não tem uma proposta palpável sequer para a segurança, setor que apresenta como principal apelo popular. Além do “bandido bom é bandido morto”, não se sabe mais nada do que tem a oferecer nesse campo. Menos ainda na economia. Bolsonaro até que vem se cercando de alguns economistas conhecidos para acenar com algum horizonte. Mas também não se sabe como ele recebe as ideias desses economistas. Segue sendo uma incógnita.

Segunda colocada nas pesquisas, Marina Silva (REDE) alimenta dúvidas há muito. Esse teria sido um dos pontos frágeis de suas duas candidaturas anteriores e é visto como determinante para que muitos se afastassem da ex-senadora no final do 1º turno eleitoral de 2014. Também está se cercando de nomes de referência, como o respeitadíssimo Eduardo Gianetti. O problema é que os investidores têm Gianetti em alta conta, mas não encontram suas ideias no discurso da candidata.

Marina até que deu acenos mais otimistas, na perspectiva dos investidores, ao falar em diálogo com o mercado e em aliança com PT ou PSDB em favor da governabilidade. O gesto foi levado em conta, mas ainda não é visto como suficiente para investidores desconfiados do futuro.

No caso de Joaquim Barbosa (PSB), desconhece-se completamente suas ideias sobre economia. Também tem conversado com economistas sintonizados com o grande investidor – caso do ex-ministro Delfim Neto. Mas esse gesto é considerado muito pouco. Até agora, o ex-presidente do Supremo sequer disse algo sobre econômica, política e governabilidade.

Para completar, Barbosa gera dúvidas até mesmo dentro do PSB. Há setores do partido que não entendem o que pensa o ex-ministro e, cautelosos, mantém os dois pés atrás. O resultado prático disso é a redução da possibilidade de Joaquim Barbosa atrair apoios e viabilizar-se política e eleitoralmente.

Nesse ritmo, os investidores esperam o cenário mais claro quanto às possibilidades de cada candidato e as propostas deles para o setor econômico. Enquanto isso, a economia patina.