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MP da Eletrobrás cria rombo para consumidor pagar, diz Aneel

Wilson Ferreira Jr, presidente da Elerobrás: problemas da empresa não impediram que pedissem aumento do salário para R$ 76,6 mil

 

Pouca gente já dava pouca importância à ideia de privatização da Eletrobrás, pelo menos neste ano. A razão principal apontada era a dificuldade política do governo, ampliada em um ano eleitoral: é difícil convencer o Congresso a votar essa matéria tão pouco popular. Mas há problemas maiores que a debilidade política do governo federal. Por exemplo, os rombos bilionários fabricados nos últimos anos na empresa; e outros que estão sendo desenhados – tudo para ficar na conta do consumidor.

São rombos do passado e projetos de rombos futuros.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), emendas de parlamentares à Medida Provisória que trata da venda da Eletrobrás trazem um monte de caga-fogo que, se passarem no Congresso, terão reflexo no bolso do consumidor. O alerta foi feito pelo próprio diretor da Agência, Romeu Rufino, que foi claro: é contra a maior parte das mais de 150 emendas parlamentares.

Em geral, a Aneel concorda com o texto da MP, pedindo pequenos ajustes. Mas acha que a maior parte das emendas não ajudam a melhorar a empresa e o sistema. Ainda de acordo com a Agência, há emenda que propõe o aumento de tarifa da usina nuclear Angra 3. Nas contas da Aneel, o impacto seria de R$ 820 milhões ao ano, desaguando na conta de luz do cidadão.

Seja como for, o tema gera discussão. Mesmo a proposta original do governo tem impacto na conta do consumidor. Segundo avaliação da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia, se a MP for aprovada como está, a conta de luz deve subir de 5% a 6%.
 

Presidente da Eletrobrás queria salário de R$ 76 mil

As mudanças na MP sobre a venda da Eletrobrás podem gerar rombos futuros. Mas há rombos passados, segundo analistas do mercado. Um deles é resultado da baixa eficiência das empresas que compõe a estatal. E boa parte dos prejuízos podem ser resumidas em uma lógica que o setor privado evitar como pode: há gastos demais e resultados de menos.

Um dos pontos apontados são a relação descompensada entre o número de servidores e as tarefas que realizam: em resumo, gente demais para uma mesma função ou tarefa. Outro ponto são os altos salários de um monte de gente que muitas vezes nem faz falta. Avalia-se que há funcionários demais para atividades que são desenvolvidas por terceirizados. Com um outro detalhe: a média salarial na empresa é três vezes superior à da iniciativa privada.

Também há executivos aos montes – todos ganhando além dos valores de mercado. Um exemplo seria o próprio presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, com um salário mensal de R$ 52,3 mil. Ele achou pouco e pediu um reajuste de 46,4%, o que elevaria o salário para R$ 76,6 mil. O pedido foi rejeitado.

Pode ser que este seja o salário de um executivo top. Mas certamente não cabe em uma empresa que está fazendo cortes de toda ordem, para tentar ser atraente ao mercado.