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Economia dá sinais positivos. Mas, agora, será pra valer?

Os investidores ficam procurando sinais de estabilidade na economia. Também os consumidores buscam vislumbrar um futuro de razoável segurança para comprar. Os dois grupos seguem desconfiados. A razão é uma economia que em um momento traz sinais positivos e, logo  em seguida, oferece indicadores negativos. Os mais recentes são positivos, como o aumento da poupança e a produção de veículos. Mas serão pra valer?

No caso da caderneta de poupança – a forma mais popular de guardar dinheiro –, os resultados agora divulgados para o mês de abril apontam que os depósitos superaram os saques em R$ 1,23 bilhão. Uma sobra bem razoável, ainda que no primeiro quadrimestre o saldo seja negativo: R$ 694 milhões. De qualquer forma, o comparativo com anos anteriores traz boas sensações: o desempenho deste abril foi o melhor para o mesmo mês desde 2013. Para o quadrimestre,  é o melhor resultado desde 2014. Na visão dos economistas isso significa que estamos levantando a cabeça.

O saldo na poupança é importante porque mostra que o brasileiros está conseguindo guardar algum dinheiro. E também traz a perspectiva de mais investimento no setor imobiliário, fundamental para movimentar a economia e gerar emprego. Esse fator, agregado à queda dos juros para as operações imobiliárias, pode implicar em uma nova dinâmica em áreas fundamentais.

Outro indicador importante é a produção de veículos. Segundo dados da Anfavea – a associação das montadoras –, abril registrou um aumento de 40% na produção de veículos, comparado com o mesmo mês do ano passado. Foram 266.111 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra as 189.487 unidades de abril de 2017. O dado também é positivo quando olhamos o quadrimestre: um aumento de 20,7% este ano em relação a 2017.

O crescimento está vinculado, em boa medida, às exportações. Mas há reação no mercado interno, inclusive pelos juros em queda para o consumidor final. E isso também é um bom indicador: carro é produto durável, que é comprado com financiamento de longo prazo. Se o consumidor não vê segurança no futuro, ele não compra.

Se está comprando mais, é porque essa confiança está mais forte.
 

Viracopos viu um futuro que não chegou

A instabilidade política do país gera dúvidas na economia. E essa dúvida pode crescer quando o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), anuncia o pedido de recuperação judicial – uma medida extrema para fugir da falência, que poderia ser resumida na popular “devo, não nego, pago quando puder”. A soma do bombaquim  é de R$ 2,9 bilhões, dívida que vai ter que esperar para ser honrada, ...se for honrada.

A privatização do aeroporto, em 2012, estava cercada de expectativas futuras. O consórcio Aeroportos Brasil, formado pela Triunfo, pela UTC e pela francesa Egis Airport, pagou R$ 3,8 bi para ficar com Viracopos, o segundo do país em volume de carga, atrás apenas de Guarulhos. Mas o futuro vislumbrado não se concretizou, com uma crise que já naquele momento dava sinais claros.

Os controladores dizem que não muda nada na estratégia de fazer do aeroporto de Campinas uma referência para carga e passageiros. Vá lá que seja. Mas que leva muito investidor a pensar um pouco mais, ah, leva sim.