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Ciro e Alckmin apostam no confronto pelo centro

Ciro Gomes: aposta no apoio de partidos de centro e de esquerda para se viabilizar na corrida pela Presidência da República

 

A saída de Joaquim Barbosa (PSB) da corrida presencial deve ser só a primeira de outras desistências, dentro de um afunilamento das opções que pode levar à concentração da disputa pelo centro do espectro ideológico. E, nessa perspectiva, Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) se esforçam procurando o protagonismo no embate por esse eleitorado, um sonhando ser o adversário do outro no segundo turno.

A maior parte das forças políticas – entendendo-se como “forças” grupos de pressão como partidos, empresariado, movimento social, igrejas etc – tem dado corda aos diversos postulantes. O objetivo é ver quem tem efetiva viabilidade eleitoral. Somente depois disso é que esses grupos vão se decantando por opções mais palpáveis e viáveis. É um raciocínio que está colocado à direita e à esquerda.

Na centro-esquerda, Ciro Gomes parece dar sinais de mais possibilidades. A senha foi dada pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que defendeu apoio geral ao ex-ministro, inclusive apoio do PT a Ciro. Já há até um movimento (com apoio de segmentos do PT) no sentido de levar o petista Fernando Haddad a compor chapa com Ciro. Ao mesmo tempo, Ciro vai estreitando o diálogo com segmentos fora das esquerdas, como o Progressista de Ciro Nogueira.

Na centro-direita, Geraldo Alckmin mostra debilidades preocupantes: ele ainda não deslanchou nas pesquisas e tem que enfrentar problemas dentro de São Paulo. Mas tem a vantagem de não encontrar páreo dentro do segmento onde transita com mais naturalidade. Pode ser beneficiado por outras desistências nas próximas semanas.

Henrique Meireles (MDB) pode ser o próximo a desistir, e deu sinais disso ao admitir que o seu partido pode indicar o vice de outro candidato. Quem também pode seguir Meireles é Rodrigo Maia (DEM) que não empolga nem o eleitor, nem os políticos, tampouco o mercado. Alckmin sonha com o apoio desses dois partidos.

Vale notar a pouca movimentação de Marina Silva (Rede), que poderia ser uma alternativa em razão dos bons índices de intenção de voto que alcançou nas últimas pesquisas. Mas ela mostra uma apatia que é comemorada especialmente por Ciro Gomes.

Esse quadro todo mostra um afunilamento no centro, com ênfase em Ciro e Alckmin. Mas nenhum dos dois pode comemorar com antecedência. O primeiro desafio de ambos é mostrar ao eleitor que são mais confiáveis e preparados que Jair Bolsonaro (PSL). Hoje, o candidato da direitona lidera todas as simulações sem lula. Há uma certa estabilidade no apoio de quase um quinto do eleitorado. Os dois candidatos de centro precisariam superar esse umbral, para conseguirem realizar o sonho de chegar ao segundo turno.