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Marina fala e, ao invés de reduzir, aumenta dúvidas


Marina Silva em Teresina: falas que ainda deixam muitas dúvidas sobre as propostas da presidenciável da Rede 

 

A presidenciável Marina Silva (Rede) vive um momento delicado de sua postulação à Presidência da República. Marina talvez possa festejar a desistência de Joaquim Barbosa (PSB) mas não deve ver com grande agrado um movimento em torno de Ciro Gomes (PDT). E deve gostar menos ainda da reação de perplexidade que causa em muitos que teimam em extrair da ex-ministra um horizonte do que pode ser um governo por ela comandado.

Na passagem pelo Piauí, Marina deu entrevista e fez palestra. Falou e falou. E não deu pistas substantivas do que feria como presidente. A fala, ao invés de reduzir, aumenta dúvidas.

Sem Lula no páreo, Marina é a segunda colocada em todas as pesquisas. Tem uma receptividade especialmente no Nordeste e nos segmentos mais populares. Por isso deve ter festejado a saída de Barbosa, que trazia um perfil – negro, de origem humilde – semelhante ao de Marina. Ela também é vista como uma possibilidade na centro-esquerda. E aí ela não deve festejar algumas manifestações de apoio a Ciro, que passa a ser um adversário direto na construção de uma candidatura viável rumo ao segundo turno.

Quanto às propostas, ela segue vazia. Muito genérica. Vale lembrar, as dúvidas sobre o eventual governo Marina foram determinantes para que ela perdesse o segundo posto, no final do primeiro turno de 2014. Se oferecesse mais consistência programática, é possível que a história da última disputa presidencial fosse distinta.

A fragilidade programática de Marina ficou patente aqui em Teresina. Questionada sobre a geração de emprego, ela disse que “aqueles que criaram o problema de 13 milhões de desempregados, de uma saúde e uma segurança que não funciona, não vão resolver o problema”. Afirmação pode ser correta. Mas não quer dizer que qualquer um que não estava entre “aqueles” vá resolver tanto pepino. E o que o Brasil quer saber é como ela pretende resolver. Também a resposta genérica “apostar no crescimento econômico” não vale: todos os demais a utilizam, sem querer dizer absolutamente nada.

Marina tem um perfil bonito que encanta a um bom pedaço do país. Também tem um trunfo e tanto: está longe da Lava Jato – citada sem maiores comprometimentos. Isso vai contar. Mas não é tudo.
 

Dúvidas reduzem apoio político

Há diversas dúvidas em torno de Marina. Não há clareza sobre suas propostas econômicas, mesmo ela tendo perto de si um dos economistas mais respeitados do país, Eduardo Gianetti. Não esclarece como vai combater o desemprego, nem como será seu desenho administrativo ou o financiamento de políticas sociais, tampouco como vai se relacionar com o Congresso.

Aliás, a questão política é importante. A história mostra que a falta de apoio político costuma ser trágica: Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Rousseff estão aí como exemplos. Os grupos políticos – partidários ou não – seguem sem entender os sinais de Marina, o que dificulta qualquer aproximação. No espectro de centro-esquerda, quem vai costurando esse apoio é Ciro Gomes.

E essa é uma má notícia para a líder da Rede Sustentabilidade.