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PT 'estica a corda' na luta por chapa pura


Antônio José Medeiros: defesa de chapa pura tanto para Assembleia Legislativa como para Câmara dos Deputados

 

Dois novos capítulos na discussão interna do PT sobre a formação das chapas proporcionais – as que vão definir a participação do partido na disputa por vagas na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal. De um lado, o governador Wellington Dias conseguiu postergar a decisão interna do partido sobre o tema, remarcando o congresso petista: não será mais neste final de semana, e sim em 20 e 21 de julho. De outro lado, o ex-deputado Antonio José Medeiros lança manifesto que engrossa a lista dos que pedem chapa pura tanto para deputado estadual quanto para federal.

Na prática, o grosso do partido vem se manifestando pela chapa pura, estilando a corda do cabo de guerra que travam com o governador. A única voz ressonante que pediu diferente foi a do ex-secretário Merlong Solano.

São duas estratégias distintas. O governador quer a chapa única reunindo as principais siglas da base de apoio. Essa estratégia é importante para partidos como MDB, PSD, PDT e até mesmo o PP. É a principal reivindicação dessas siglas, cobrada como contrapartida pelo apoio à candidatura de Wellington.

Mas o PT faz contas e chega à conclusão que o partido tem chances de ampliar sua presença na Assembleia e na Câmara saindo desacompanhado. Participando da chapa única, pode contribuir para eleger deputados de partidos aliados, em detrimento da própria bancada. Na chapa pura, pode crescer. E muito.

Essa tese ganha o reforço de Antonio José Medeiros, uma voz que é revertida de um certo simbolismo. Vale lembrar, Antonio José é mais histórico no PT que nomes como o próprio Wellington Dias. Por muito tempo foi visto como o ideólogo do partido e nome chave na definição das estratégias petistas. Quando lança o manifesto, traz um certo olhar sobre a necessidade do PT resgatar uma postura histórica.

Há o reconhecimento em diversas esferas do PT de que o partido, ao chegar ao poder, se afastou de muitos de seus compromissos históricos. Escândalos como o Mensalão e a Lava Jato seriam a tradução desse diagnóstico. A voz de Antonio José seria um resgate dos compromissos de antes, defendendo o fortalecimento da bancada petista como fundamental para esse resgate.

Ou seja: o PT quer, no futuro, depender mais de si que de aliados. Ter uma bancada própria robusta pode ajudar a refazer esse caminho.
 

O apoio à reeleição de Regina

No manifesto aos petistas, o ex-deputado Antonio José Medeiros vai além da defesa de chapa pura para a disputa por cadeiras na Câmara e na Assembleia. Ele também afirma que uma das prioridades do partido deve ser a candidatura de reeleição de Regina Sousa para o Senado. Reforça uma tese abraçada por praticamente todo o petismo.

A defesa de fortalecimento do PT no Congresso tem também um olhar para o futuro, mais especificamente para a reforma política que considera fundamental. Antonio José ressalta a reforma política como “a mãe de todas as reformas”. Mas adianta que essas mudanças já estão em curso, como a previsão do fim das coligações proporcionais a partir de 2020. Para o ex-deputado, a defesa da chapa pura é só uma antecipação dessa mudança.