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Em 1 ano, delação da JBS afetou especialmente Temer e PSDB

Joesley Batista: delação que mudou a agenda do governo e afetou a carreira especialmente de Michel Temer e Aécio Neves

 

Era o início da noite de 17 de maio de 2017 quando a informação chegou a público e teve o efeito de uma bomba. Os controladores do grupo JBS, à frente Joesley Batista, fizeram delação premiada e entregaram de bandeja o presidente da República, Michel Temer, e o presidente do PSDB, Aécio Neves. Um ano depois, Temer não se recuperou do golpe e Aécio é quase um cadáver político ambulante.

Foi mais uma “delação do fim do mundo”, termo que serviu de rótulo para a anterior (e também bombástica) delação de Marcelo Odebrecht. Se Marcelo havia tido feito explodir sua munição especialmente sobre o Executivo, a delação da JBS serviu de artilharia pontualmente contra o presidente da República e um punhado de parlamentares.

O balanço desse 1 ano é particularmente trágico para o governo Temer. Naquele maio de 2017, Michel Temer começava a comemorar a recuperação econômica e a baixa do desemprego. Depois de 17 de maio, a agenda mudou e ele passou a cuidar da própria sobrevivência. Foi para o embate no TSE cercado de descrédito, em junho. Em julho e agosto, esforçou-se (e empenhou o governo) para derrubar a primeira denúncia apresentada pela PGR. Em outubro, mais outro esforço concentrado para derrubar a segunda denúncia.

A agenda mudou completamente. As reformas – sobretudo a da Previdência – deixaram de ter a atenção prioritária. Assim, o plano do presidente de "estender pontes" restringiu-se a estender pinguelas que permitissem a negociação com meio mundo do Congresso, com o objetivo puro e simples de salvar a própria pele.

A delação foi marcante para o governo Temer. Também foi para o PSDB, que não pode esquecer o 17 de maio. Nas gravações de Joesley Batista estava Aécio Neves, o presidente do partido. Pior: os tucanos não souberam de livrar da “maçã podre”. Aécio seguiu oficialmente no comando da sigla, apesar de licenciado. Também resistiu à pressão de alguns setores tucanos e permaneceu no governo, abraçado com Temer e ampliando o desgaste.

A estatística pós-delação da JBS aponta que as revelações de Joesley Batista levaram a 91 investigações. Mas o que a estatística não revela é o efeito político em si: depois da delação, o governo Temer – que parecia decolar – embicou de vez. E o PSDB passou a ser visto como um partido que não conseguiu se desvencilhar dos escândalos. Ao contrário, passou a ideia de não se importar com eles.

A situação atual de Geraldo Alckmin, o candidato tucano à Presidência que patina nas pesquisas, é um pouco tradução da trajetória desses últimos 12 meses.