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Ceará quer água do Parnaíba para abastecer Fortaleza

Há décadas o Piauí discute, sem chegar a uma conclusão definitiva, as alternativas para suprir a histórica falta de água no nosso semiárido. Enquanto isso, o Ceará lança os olhos para o Piauí e eis que surge um projeto que pretende abastecer Fortaleza com a água potável do Rio Parnaíba.

A proposta foi o resultado de um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Os estudos já foram transformados em um artigo científico publicado pela revista internacional Water. Também é destaque na imprensa local: esta semana, o Diário do Nordeste publicou uma longa matéria a respeito, com direito ao mapa que reproduzimos acima, indicando como será o projeto.

Os pesquisadores defendem que a transposição das águas do Parnaíba para o sistema de abastecimento de Fortaleza ocorra através de tubulação subaquática, movida por energia eólica. A água doce seria captada na foz do Parnaíba, daí percorrendo 400 km até a capital cearense, em dutos paralelos ao litoral.

A proposta dos pesquisadores faz um contraponto a outras ideias já bastante conhecidas, a exemplo da adução terrestre, como a bastante conhecida ideia de transposição do Rio São Francisco ou do açude Castanhão, o maior reservatório do Ceará. Os estudos oferecem como vantagem o uso de energia eólica, através de uma estação no mar que poderia ficar entre Camocim e a fronteira piauiense. A adução subaquática evitaria um dos grandes problemas da adução terrestre: a evaporação de uma boa parte da água transposta.

A proposta é apresentada ainda como mais viável economicamente. No caso clássico das transposições terrestres, as estações elevatórias implicam em altos custos de energia, que corresponderiam a 60% do total dos custos operacionais, segundo Daniel Albiero, da UFC. Com o uso da energia solar, o custo operacional seria substancialmente reduzido.
 

As razões para escolha do Parnaíba

Ainda segundo os pesquisadores, três fatores favorecem à escolha do rio Parnaíba como fonte para o abastecimento de Fortaleza. Primeiro, a vazão média do rio, que é de 763 m³/s, suficiente para atender às necessidades da capital cearense. Em segundo, vem a qualidade da água, considera superior: pontos do rio em que há poluição, como nas proximidaes de Teresina; mas na foz a água é limpa. E, por fim, a distância: são apenas 400 km até Fortaleza.

O debate feito lá pelas bandas do Ceará bem poderia gerar discussão também aqui no Piauí. Primeiro, sobreo uso do rio, para saber se é efetivamente adequado. Segundo, sobre as possibilidade de tê-lo como solução para nossos próprios problemas: se há a possibilidade do rio Parnaíba servir os cearenses a 400 km de distância, qual o impedimento do mesmo rio servir os piauienses de áreas onde há escassez de água?