Cidadeverde.com

Governadores reclamam de privatizações, mesmo privatizando


Governadores do Nordeste, em Recife: posição contra as privatizações em geral e à da Chesf em particular

 

Em reunião de ontem, no Recife, os governadores do Nordeste deixaram bem claro, no documento final do encontro, a posição contrária às privatizações. O brado é, na verdade, um brado especificamente contra a privatização no setor de energia – que inclui a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) e a Eletrobrás Piauí, a antiga Cepisa. Um brado inclusive contraditório, já que os governadores têm feito eles mesmos as suas privatizações.

Conforme levantamento publicado aqui nesta coluna ainda em janeiro, o Piauí lidera a lista de projetos de privatizações no Brasil. Em todo o país, são 238 projetos de transferência da gestão, controle ou propriedade para a iniciativa privada, O Piauí responde por 35 itens da lista. Isso representa quase 15% do total – mais precisamente 14,7%.

Desse total, são 22 projetos no âmbito do Governo do Estado, outros 12 da Prefeitura Municipal de Teresina e um do governo federal – no caso, a Eletrobrás Piauí, a nossa velha e conhecida Cepisa. Na lista do estado estão o estádio Albertão, o Porto de Luís Correia, o Verdão, o Zoobotânico e o Hospital Materno Infantil (veja lista completa aqui).

O discurso do Recife parece sintonizado com o momento: é fácil bater no desgastadíssimo Michel Temer e isso é muito oportuno em um ano eleitoral.

Para registro: estiveram presentes no encontro de Recife os governadores Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE), Ricardo Coutinho (PB), Paulo Câmara (PE), Robinson Faria (RN), o governador do Piauí, Wellington Dias, e mais o mineiro Fernando Pimentel (MG).
 

Bancada da Chesf se mobiliza

O brado dos governadores contra a privatização da Chesf tem razões muito políticas. Tanrto que os políticos de praticamente todos os matizes simplesmente não gostam nem de falar em vender a companhia. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, as dezenas de postos de direção, que deveriam ser técnicos, é ocupada por indicação política. Vender a Chesf é perde muitas boquinhas.

Daí existir no Congresso uma expressiva, muito barulhenta e ativa bancada da Chesf, que se posiciona fortemente contra a venda da companhia. O governo Michel Temer bem que tentou emplacar a venda das empresas de energia, a Chesf e a Cepisa entre elas. Marcou até data: abril, que já passou. Sem força política suficiente e com um Congresso pensando na próxima eleição, ficou difícil levar adiante o projeto.

A bancada da Chesf mostrou sua força.