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15 anos depois, Grande Teresina ainda não saiu do papel


Ponte Metálica: um símbolo da união entre Teresina e Timon que o projeto da Grande Teresina não consegue repetir

 

O nome é pomposo: Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (RIDE) da Grande Teresina. Reúne 15 municípios e uma população superior a 1,2 milhão de pessoas. Quando surgiu, procurava ser um atalho para os investimentos federais, especialmente nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento econômico. Porém, mas de 15 anos depois, a RIDE da Grande Teresina não saiu do papel.

A Grande Teresina foi resultado de um projeto de lei do então senador Hugo Napoleão. Em 2001 o projeto foi aprovado e transformado em Lei. Em setembro de 2002, foi assinado o decreto presidencial regulamentando a RIDE que reúne 14 municípios piauienses e mais Timon, no Maranhão. A partir daí, teoricamente, estava em condições de funcionar. Mas, de fato, nunca saiu do papel.

Quando foi criada, eram 13 cidades piauienses (Altos, Beneditinos, Coivaras, Curralinhos, Demerval lobão, José de Freitas, Lagoa Alegre, Lagoa do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Pau D'Arco do Piauí, Teresina e União) e mais Timon. Em 2009, ganharia um novo membro: Nazária, desmembrada de Teresina. Ao surgir, a Grande Teresina gerava muitas esperanças em um estado tão carente de recursos federais.

Na época – como agora – Teresina e seu entorno pediam uma série de ações que assegurassem novos horizontes para o desenvolvimento econômico e social da região. As carências de antes persistem, acrescidas de novas demandas.

Dois problemas explicam essa situação. Um deles é o Conselho Diretor da Grande Teresina, sob controle do Ministério da Integração Nacional. Mas, agora, o ministério tem um piauiense à frente. Outro piauiense, Avelino Neiva, comanda o outro órgão federal com lugar de destaque no Conselho, a Codevasf. Completam o Conselho representantes dos governos do Maranhão e Piauí e dos prefeitos da região.

Mas o problema maior é a falta de empenho dos interessados. Não há sequer discussão dos prefeitos da região sobre o tema. Dessa forma, a ideia de transformar a Grande Teresina em um atalho para os recursos federais não se concretiza porque ninguém se dispõe a abrir esse caminho.
 

Obras fundamentais na lista de espera

Se os integrantes da Grande Teresina desejarem, não vai faltar alternativa para investimentos federais na capital piauiense e seu entorno. A lista é grande e, de certa forma, antiga. Confira algumas:

Duplicação das BRs: é obra tipicamente federal, mas está sendo bancada pelo estado... a conta gota.
Aeroporto: a demanda vem de 2011, quando o governo do Estado discutiu a possibilidade de um novo aeroporto em Teresina. O governo federal não fala do assunto.
Polo industrial: Teresina não tem uma área que possa acomodar indústrias de grande porte. Falta o elementar: um distrito industrial robusto.
Suprimento de energia: outro entrave para atração de investimentos é a precariedade no suprimento de energia.
Polo digital: também discutido pelo Estado junto com as universidades, poderia dar um novo rumo à economia local.
Ampliação do Metrô: a ideia de levar o metrô para a Zona Sul de Teresina está como a Grande Teresina: não sai do papel.
Sistema metropolitano de transporte ferroviário: Mais estacionado ainda está o projeto de transporte ferroviário metropolitano, para Altos, Campo Maior (no Piauí), Timon e Caxias (no Maranhão).
Mobilidade urbana: há carências na mobilidade urbana em Teresina e outras cidades da RIDE.
Outras obras: outras demandas importantes são as obras de alcance social. Uma delas é a Nova Maternidade.