Cidadeverde.com

Opção pelo ‘não voto’: nulo e branco lideram em São Paulo


Voto nulo: opção cresce entre o eleitorado brasileiro, cada vez mais descrente da política 

 

Não teve pra ninguém. Nem João Dória, nem Paulo Skaff, tampouco Márcio França. O grande líder da última pesquisa IBOPE sobre as eleições para o governo do estado de São Paulo foi a opção pelo “não voto”: 40% dos eleitores pesquisados esqueceram a opção de carne e osso e escolheram o “nulo” ou “branco” como a melhor alternativa.

O fenômeno é crescente, demonstrando especial força em 2016, quando uma boa parcela do eleitorado ou deixou de votar ou votou em ninguém – opção pelo nulo ou branco. Esse foi o caso do Rio de Janeiro, onde o “não voto” (aí acrescido da abstenção) ficou em segundo lugar no segundo turno.

A opção pela abstenção ou de anular o voto o votar em branco pode ser lida como uma reação à política (ou pelo menos aos políticos de plantão). E o que já alarmou muitos em 2016 deve escandalizar outros tantos em 2018, sobretudo os políticos que correm atrás de um eleitorado cada vez mais descrente. Um sentimento tão compreensível quanto perigoso: não é só um protesto contra os políticos do momento, mas há muito de descrença na política em geral e na democracia em particular.

Compreende-se o desencanto: nossa democracia está funcionando mal. Os representantes populares, sistematicamente, fazem pouco caso dos interesses dos representados. A corrupção – que revelou-se sistêmica – é só uma parte desse pouco caso. A precariedade dos serviços públicos, sem muita ação substantiva para corrigir tal erro, também reforça essa percepção pelo cidadão comum.

O mundo político faz questão de demonstrar que vive numa bolha, desconectado da realidade cotidiana dos brasileiros. Se o político se afasta do cidadão, o cidadão vai reagindo com igual medida, afastando-se da política. É o que revela a pesquisa do IBOPE, sobre a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Para ganhar dos “brancos e nulos”, é preciso somar os três primeiros colocados – e mesmo assim só chegam a 41% das intenções dos eleitores pesquisados, um ponto acima do “não voto”. O candidato mais citado, João Dória (PSDB) tem pouco mais da metade dos que se dispõem a anular ou votar em branco. O segundo mais citado, Paulo Skaff (MDB), com 15%, tem pouco mais de um terço do “não voto”. E o terceiro nome mais lembrado, Luiz Marinho (PT) , chega a apenas 4%, um décimo do “não voto”. Já o governador Márcio França (PSB) tem apenas 3%.

Historicamente, nessa altura do campeonato – pouco mais de 4 meses antes da eleição –, o normal era um alto índice de indecisos, em geral optando pelo “não sei”. Agora é diferente: o eleito sabe o que quer, e o que quer mesmo é não dar o voto para ninguém.

Pode ser que o calor da campanha resgate uma boa parcela desses que hoje correm da política e se refugiam no “não voto”. Mas o dato é bem revelador do tamanho do desgaste dos políticos no Brasil.
 

Confira pesquisa IBOPE na corrida para o governo de SP:

  • Brancos e nulos: 40%
  • João Doria (PSDB): 22%
  • Paulo Skaf (MDB): 15%
  • Luiz Marinho (PT): 4%
  • Márcio França (PSB): 3%
  • Rodrigo Tavares (PRTB): 2%
  • Professora Lisete Arelaro (PSOL): 2%
  • Rogerio Chequer (Novo): 2%
  • Alexandre Zeitune (Rede): não pontuou.
  • Não sabe, não quis responder: 10%

Dados técnicos: O Ibope ouviu 1.008 eleitores entre 24 e 27 de abril. A margem de erro máxima estimada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TRE-SP sob o protocolo SP- 04608/2018, e no TSE sob protocolo BR- 06360/2018.