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Quem ganhou com a greve dos caminhoneiros?


Greve dos caminhoneiros: ninguém se diz vencedor em um movimento que socializou perdas nos diversos setores da economia
 

Áudios divulgados pelas redes sociais, teoricamente por caminhoneiros, revelam um descontentamento com o desfecho da greve que praticamente parou o país. Segundo esses áudios, os ganhos foram mínimos para os caminhoneiros e tal situação justificaria a retomada do movimento. Se é verdade que tais ações são efetivamente de caminhoneiros, cabe a pergunta: se os eles não ganharam nada, quem ganhou com a greve que durou 12 dias?

O balanço aponta para conquistas importantes da categoria, segundo a pauta de reivindicações apresentadas por pessoas que se diziam seus líderes. Levaram a redução do valor do diesel, somaram uma cota dos fretes governamentais e asseguraram a chamada previsibilidade – que limita os reajustes do combustível. Para completar, ainda conseguiram conquistas festejadas pelos patrões do setor de transportes.

As perdas, no entanto, são muitas e em diversos setores.

• Petrobrás: a empresa perdeu valor de mercado. Com a queda na bolsa, o valor cotado da Petrobrás despencou R$ 118 bilhões em apenas uma semana. E perdeu, sobretudo, credibilidade. Ah, também perdeu o presidente.
• Comércio: na semana crucial da greve, as perdas do setor chegaram a R$ 2,7 bilhões. Os supermercados contabilizaram mais de R$ 2 bi em perdas irrecuperáveis.
• Construção Civil: o setor avalia que deixou de faturar R$ 3,8 bilhões no período da greve. Isso significa menos emprego em um setor crucial.
• Postos: as empresas distribuidoras de combustíveis, sozinhas, respondem por outros R$ 11,5 bilhões em perdas.
• Exportações: no período da greve, as exportações brasileiras cairam expressivos 36%. Sem transporte e portos afetados, ficou difícil mandar mercadoria para o exterior.
• Cidadania: o brasileiro está pagando combustível mais caro, sobretudo porque o acordo da greve não alcançou o etanol e a gasolina, usados pelo cidadão que não tem caminhão nem carrão.

Na conta geral, o país teve perdas que chegam a R$ 75 bilhões – quase 2% do PIB pelo ralo em apenas uma semana. Pior é que o cálculo dos economistas aponta para sequelas que vão durar uns três anos. Não é pouco, especialmente para um país que já amarga um processo recessivo desde o final de 2013.

Vale lembrar, em dois anos (2015 e 2016), o PIB brasileiro despencou quase 10%. O fim da recessão era apenas técnico: deixamos de cavar o fundo do poço. Mas seguimos no fundo do poço. No caso da recessão, a expectativa é que as sequelas sejam notadas por cinco ou seis anos. A esse tempo se juntam os efeitos da greve.

O pior é que, segundo alguns caminhoneiros, ninguém ganhou. Nem eles.

Imagine o resto do país.