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Eleitor dá novo aviso: 50% desdenham de candidatos no Tocantins


Eleição suplementar no Tocantins: metade do eleitorado não fez opção por nenhum dos candidatos a governador

 

Primeiro foi uma pesquisa em São Paulo, apontando que 40% dos entrevistados estavam dispostos a não votar em ninguém, este ano. Agora a coisa sai da possibilidade para a concretude do voto: quase 50% dos eleitores aptos a votar em Tocantins, ontem, desdenharam das candidaturas e optaram pelo não-voto.

Se os políticos ainda duvidavam do desencanto ou da pura rejeição à política como ela vem sendo feita no Brasil, os sinais estão aí. E deve servir de um grande alerta para outubro.

Há sempre o argumento de que a eleição suplementar para escolha do governador do Tocantins, ontem, tem uma excepcionalidade que reduz o engajamento. É um argumento razoável: a greve dos caminhoneiros criou algumas dificuldades, o estado já viu esse filme (cassação de governador) antes e a eleição é para um governante que ficará no cargo apenas seis meses. Ainda assim o sinal soa como um grito.

Segundo o TRE do Tocantins, a abstenção bateu em 30,14%. Os votos nulos chegaram a 17,13% e os votos brancos somaram 2,06%. No total, o não-voto chega a 49,33%. É muita coisa. E é especialmente relevante o índice de abstenção e o de votos nulos, sobretudo se comparados com as eleições de 2014, vencida no primeiro turno pelo agora cassado Marcelo Miranda.

Em 2014, a abstenção foi de 19,6%. Houve, portanto, um aumento de mais de 50% no bolo de ausentes. Mas se os argumentos antes relacionados soam como atenuante, há um outro dado que é demolidor: os votos nulos dobraram. Em 2014, eles somaram 9,77% dos votos. Agora, passaram dos 17%. Esse aumento é significativo porque diz respeito ao eleitor que foi às urnas e não optou por nenhum candidato. É como se dissesse: “Nenhum me representa”.

No caso dos votos em branco, ficou praticamente como estava, até com uma pequena queda este ano: 2,47% em 2014 contra os 2,06% de ontem – o que talvez queira dizer que muitos preferiram transformar voto branco em voto nulo.
 

O novo não apareceu. Ou não encantou

A ideia de que as eleições de 2018 seriam a eleição do novo – da mudança – parece perder força. Os números vão mostrando que essa eleição, salvo mudança de contexto, pode ser a campanha do “não estou nem aí para essa gente”.

No caso da pesquisa de São Paulo, pode-se dizer que nenhum candidato é novidade. Mas o caso do Tocantins é diferente e parece ressaltar o sentimento generalizado de que os que estão na política desdenham do povo. E os que entram na política cedo ou tarde seguirão o mesmo caminho.

Na disputa pelo governo de Tocantins, uma novidade era o ex-juiz Márlon Reis (Rede). Como juiz no Maranhão, ele teve forte atuação contra a corrupção e foi um dos inspiradores da chamada Lei da Ficha Limpa. Ganhou destaque nacional e entrou na disputa com esse capital achando que poderia transformá-lo em voto.

Ficou em quarto lugar, com menos de 10% dos votos válidos.