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O lugar de pouco destaque da Universidade Brasileira

Os rankings sempre são questionados, mas é também sempre bom olhá-los para ver o que eles dizem. E o mais recente ranking internacional listando as universidades mais importantes do planeta Terra dizem que a Universidade Brasileira tem papel de figurante na produção do conhecimento, mundo afora. Não temos nenhuma de nossas instituições superiores figurando entre as 100 maiores do planeta.

O novo ranking que veio à luz é o QS World University Rankings, que avalia as 4.500 melhores instituições de ensino superior do mundo. A elaboração é feita por analistas globais e leva em conta diversos aspectos da produção acadêmica ao redor do mundo. A Universidade de São Paulo é a instituição brasileira melhor colocada, na 118ª posição.

Para um país que há década aspira à condição de potência mundial, é um desempenho pífio. E olha que nossa universidade líder até melhorou de posição – a USP subiu três postos, o melhor desempenho desde que o ranking foi criado, há 15 anos.

É claro que a avaliação pode ser questionada a partir dos critérios que usa. Cada ranking valoriza certos aspectos, passando por número de alunos atendidos, artigos produzidos, capacidade de inovação e registro de patentes. Há os que levam em conta até as premiações conseguidas por uma universidade, onde o Nobel se destaca.

Seja como for, em todos os rankings a Universidade brasileira vai mal. E ninguém chega a ser potência apenas produzindo diplomas. Há uma avaliação internacional que mostra que a educação básica brasileira é ruim, muito ruim. O ensino superior não tem como ficar longe desse cenário: ele “coroa” todo o processo e também se mostra pouco eficiente.

Para completar, somos um país que investe pouco, muito pouco em pesquisa. E ainda tem o agravante que a Universidade cultiva uma especial animosidade com os “temas comuns”, aqueles que dizem respeito à sociedade, ao dia a dia do cidadão. É como se os temas cotidianos não dissessem nada à academia, que muitas vezes se prende a assuntos distantes da realidade que a cerca.

Falta a interação entre o campus e as ruas. Ou o campus e a indústria. O campus e a escola. O campus e o hospital. O campus e a agricultura. O campus e o turismo como evento social e econômico.

O reflexo está no ranking que acaba de ser publicado, que reproduz a realidade de outros rankings: estamos lá no final da fila. Temos apenas cinco universidades entre as 500 melhores, e espalhadas nesse Top500. E não é com um lugar coadjuvante em termos de produção de conhecimento que vamos fazer do Brasil uma nação a ser efetivamente levada em conta no planeta.

Confira a posição de nossas dez principais instituições, segundo o QS World University Rankings.

No Brasil No mundo        

1.    Universidade de São Paulo (USP) – 118ª colocada;
2.    Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – 204ª;
3.    Universidade Federal do Rio de Janeiro – 361ª;
4.    Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –464ª;   
5.    Universidade Estadual Paulista (Unesp) – 491ª;
6.    Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – entre 531ª e 540ª;
7.    Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – 601ª-650ª;
8.    Universidade Federal de Minas Gerais – 601ª-650ª;
9.    Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – 601ª-650ª;
10.  Universidade Federal de São Carlos – 701ª-750ª.