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Investidor já não coloca tanta fé em Alckmin

O nome de Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à presidência da República, sempre foi apontado como uma das alternativas preferidas pelos investidores. Mas a demora do ex-governador paulista em demonstrar consistente densidade eleitoral começa a tirar a paciência do investidor, que já olha para outras alternativas como um caminho razoável para o Brasil, nos próximos anos. Uma das alternativas que mais cresce, pasme!, é Jair Bolsonaro (PSL).

Esse caminho ficou evidente na última pesquisa realizada pela XP Investimentos, que há muito anda monitorando o humor e as esperanças do empresariado. A pesquisa (realizada dias 4 e 5) ouviu 204 gestores, economistas e consultores que representam mais da metade dos recursos do mercado brasileiro. E o resultado mostra que cresce a projeção de um segundo turno entre Ciro Gomes (PDT) e Bolsonaro.

É uma mudança e tanto de cenário, junto a esse segmento que tem muito poder de influir nos rumos do país, inclusive na política. Um exemplo disso foi a primeira eleição pós-redemocratização. Em 1988, os investidores apostavam no empresário Antonio Ermírio de Moraes. Mas ele não deslanchou. O mercado auscultou o cenário e encontrou em Fernando Collor o depositário de suas teses. Collor cresceu e um ano depois era eleito presidente.

Em 1994, Lula era visto como uma possibilidade, em contraponto a Paulo Maluf. Mas o mercado terminou deixando o petista de mão e abraçando a candidatura de Fernando Henrique, que acabou eleito no primeiro turno. Em 2002, Lula fez uma carta para acalmar o mercado e ganhar as bênçãos dos investidores. Depois disso, teve o caminho aplainado para a primeira vitória, após três derrotas.

Agora, como às vésperas de 1989, o investidor se sente um tanto órfão de candidatos. Sem Alckmin, para onde ir? Há dúvidas quanto a Ciro. E muitos se decantam por Bolsonaro. A mesma instituição tinha realizado sondagem semelhante em abril, quando Alckmin aparecia como o mais citado pelos entrevistados, seguido de Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está na frente, seguido de Alckmin. Depois vem Ciro, ainda longe. Mas os investidores já não colocam tanta fé no tucano e a maioria acha que a dupla Bolsonaro e Ciro é quem vai decidir o pleito.

Se esse cenário se mantiver, é possível que Bolsonaro se converta no novo Collor.
 

Alckmin enfrenta problemas internos

Não é só mercado que está perdendo a paciência com Geraldo Alckmin. Ele enfrenta problemas dentro do próprio PSDB, e não se trata mais da reação pontual do prefeito de Manaus, Artur Virgilio Neto. Tem tucano de bico largo pedindo a liberação de alianças Brasil afora.

Essa é uma boa forma de dizer: Geraldo, deixa cada um cuidar de si. Liberar as alianças é mesmo que gritar: não vamos esperar pelo candidato do partido à Presidência. Para evitar o abraço dos afogados, cada um que cuide de si.