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Os 15% ainda valem como meta para chegar ao 2º turno


Fernando Henrique, o único a vencer no 1º turno; e Lula, o único a ir para o 2º turno com menos de 20% dos votos válidos

 

Quando os estrategistas do Palácio do Planalto pensavam em lançar Michel Temer (MDB) como candidato à sua própria sucessão, há uns três meses, havia uma meta para tornar a candidatura viável: 15% das intenções de voto. A postulação de Temer foi destroçada pelos fatos que reforçaram a má avaliação do presidente. Mas uma coisa permanece: a meta dos candidatos, mirando os 15% de intenção de voto como caminho para o sonho de figurar entre os que disputam o 2º turno.

Os analistas de cenário já dão como uma possibilidade bastante palpável um alto índice de abstenção, bem como de votos nulos e brancos. O sinal do eleitor já foi dado na recente eleição para o governo do Tocantins, quando metade do eleitorado simplesmente não optou por nenhum candidato: 49,33% se refugiaram na abstenção ou no voto nulo ou branco. Nesse cenário, os 15% de intenção de voto pode significar algo próximo de 30% dos votos válidos.

Somente Lula, em 1998, teve mais de 30% dos votos válidos e mesmo assim não foi para o 2º turno. Também somente Lula teve menos de 20% dos votos válidos, em 1989, e mesmo assim foi para a segunda rodada da eleição presidencial. Cabe lembrar ainda que Marina, em 2010, quase chegou aos 20% (teve exatos 19,33% dos votos válidos) e mesmo assim ficou em terceiro. Repetiu o terceiro lugar em 2014, aí com 21,32% dos votos válidos.

O cenário de fragmentação de hoje tem semelhança somente com o de 1989. Daí, os 15% de intenção de voto são, sim, uma meta bastante factível dentro da estratégia de viabilizar um candidato.

Vale lembrar, somente nas eleições de Fernando Henrique Cardoso (em 1994 e 1998) verificou-se vitória em primeiro turno. Em todas as demais, foi necessária uma segunda rodada. Diante desse retrospecto, vale a pena conferir o desempenho dos principais candidatos no 1º turbo de cada eleição presidencial, desde 1989, considerando os votos válidos.

1989
Collor:  30,47%
Lula:  17,18%     
Brizola:  16,51%

1994
FHC:  54,24%
Lula:  27,07%

1998
FHC:  53,06%
Lula:  31,71%

2002
Lula:  46,44%
Serra:  23,19%

2006
Lula:  48,61%
Alckmin:  41,64%

2010
Dilma:  46,91%
Serra:  32,61%

2014
Dilma:  41,59%
Aécio:  33,55%