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O campo da direita vai se definindo por Bolsonaro


Deputado Jair Bolsonaro, do PSL: consistência nas intenções de voto fortalece o ex-militar como opção do campo da direita no Brasil

 

Em recente passagem por Teresina, o candidato do PRB à presidência da República, empresário Flávio Rocha, atacou o que chamou de extremos – Jair Bolsonaro (PSL), à direita, e Lula (PT), à esquerda. Ao apontar para os dois, Flávio tentou ser enxergado como candidato de centro, num esforço para agradar um eleitorado amplo e largamente indefinido. Ma, pelo teor das propostas que abraça, o candidato do PRB é de direita. Bem direita mesmo. O problema é que ele não consegue avançar sequer sobre esse eleitora, que parece ter dono, ou pelo menos uma preferência: Bolsonaro.

O ex-militar vai se firmando como o representante do chamado campo da direita – ou da “direitona radical”, como querem alguns direitistas, incomodados com a associação. Bolsonaro vai se mostrando estável, com um percentual elevado ainda que não tão elevado a ponto de dar tranqüilidade à campanha. Sem Lula,vem se revelando o líder de todas as pesquisas, em um patamar próximo aos 20%.

O problema de Bolsonaro é não avançar desse patamar entre 17 e 19 pontos percentuais, aos quais se vê preso há um ano. Vale lembrar, somente em 1989 um candidato foi para o segundo turno com menos de 20% dos votos válidos. Nesse momento, o candidato do PSL se vê favorecido pela fragmentação de candidaturas. Mas há movimentos que podem criar um outro cenário.

No campo das esquerdas, crescem as vozes que buscam unificar forças em torno de um único candidato, Ciro Gomes (PDT) como preferido. Na centro-direita há movimento semelhante, embora a opção preferencial em Geraldo Alckmin (PSDB) tenha perdido fôlego. Cada um desses campos deseja criar as condições para estar no segundo turno.

No caso de Bolsonaro, ele parte de uma vantagem: um apoio consistente de cerca de um quinto do eleitorado. Não é pouca coisa, ainda mais em um cenário tão cheio de candidatos sem grandes apelos e, mais ainda, em um ano onde boa parte dos votantes pretende se abster ou anular o voto. Vale lembrar, a recente eleição para o governo do Tocantins teve metade dos eleitores sem opção nenhuma – a soma de abstenção, nulo e branco. Em situação tal, os cerca de 20% de Bolsonaro significariam perto de 40% dos votos válidos.

Com uma perspectiva bastante razoável de estar no segundo turno, há segmentos que já sacam o oportunismo de sempre e buscam a possibilidade de poder em um futuro próximo. E aí aparecem hoje bolsonaristas entre antibolsonaristas de ontem.

A velha história da política no Brasil: feio é perder – mesmo que o país perca com isso.