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Com Alckmin empacado, Marina vira alternativa do centro


Marina Silva: discurso mais atenuado abre perspectiva para o eleitorado de centro que perde a fé em Geraldo Alckmin

 

A pesquisa DataFolha, divulgada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra a força da candidata da REDE, Marina Silva, na corrida pela presidência da República. Mesmo com um partido pequeno e praticamente sem alianças, ela se mantém com índice e se coloca em segundo lugar nas intenções de voto, atrás de Jair Bolsonaro (PSL).

Marina tem 15% das citações dos entrevistados pelo DataFolha – simulação em que não aparece o petista Lula. Não é pouca coisa, ainda mais comparado com nomes bem mais estruturados e badalados, como o tucano Geraldo Alckmin, que no mesmo cenário empaca nos 7% de intenção de voto.

Alckmin, aliás, pode vê os indicadores de Marina como uma ameaça direta.

A pesquisa dá indicações de que a direita já tem seu candidato: é Jair Bolsonaro, que usa o discurso do medo da violência como seu principal trunfo. Adota um viés claramente autoritário e encanta quem acha que democracia é coisa de gente que não tem o que fazer. Por outro lado, Ciro Gomes (PDT) vai tentando articular um movimento de centro-esquerda para ser o único representante do segmento. Esbarra especialmente no PT, mas o partido de Lula pode ficar sem alternativas e se decantar pelo pedetista.

Já Marina tem sérias diferenças em relação ao PT, especialmente depois de 2014, quando sofreu uma nada sutil (nem ética) campanha de desqualificação empreendida pelos marqueteiros de Dilma Rousseff. Isso afasta a candidata da REDE dos ex-companheiros. E essa realidade é um problema a mais para Alckmin.

Desde 2014, Marina se aproxima do centro ideológico, sem deixar sua pregação de esquerda. A própria aliança com Eduardo Campos, no PSB, já foi um indicativo desse movimento para o centro. Além disso, ela tem no seu entorno nomes bem receptivos ao centro, como o empresário Guilherme Leal – o principal acionista da Natura – e Eduardo Giannetti, um dos mais festejados economistas do país.
 

Marina ainda gera dúvidas

Claro, ainda há dúvidas sérias em relação ao que pode ser um eventual governo Marina Silva. Muitos não vêem no discurso dela as pregações abraçadas por Giannettii, tampouco o desenho de estado festejado por Leal. Ainda assim, esse entorno gera uma perspectiva mais tranqüilizadora.

Tranquilidade parece ser a palavra mais importante na disputa presidencial deste ano. É exatamente a palavra que ainda falta tanto a Bolsonaro quanto a Ciro Gomes. Bolsonaro é visto como uma bomba de estopim aceso. Essa é quase a mesma leitura que cabe em Ciro, agravado por um assessor econômico – Mangabeira Unger – que não agrada a muitos.

Diante da falta perspectiva do tranquilo Alckmin, Marina até pode encantar o centro que busca um porto mais ou menos seguro.