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No ‘Fica Margarete’, os candidatos que não são


Margarete Coelho: almoço e apoio a uma candidatura majoritária quase impossível de vingar   (FOTO: Wilson Filho)

 

Mineiramente cheio de tiradas espirituosas, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) diz que a política é como o trânsito de Brasília: dá-se o sinal para a direita quando o propósito é ir para a esquerda. A frase, que já tem mais de 30 anos, traduz a dissimulação como parte da política, onde os sinais dizem algo bem diverso do que se pretende.

O “Fica Margarete”, evento de ontem em torno da vice-governadora Margarete Coelho, tem muito disso. O que estava em jogo no evento era muito mais a luta de partidos como PP e PSD por um chapão na disputa proporcional que a composição da chapa majoritária. Esta, ao que tudo indica, está decidida. E sem Margarete.

O almoço que seria para defender Margarete na chapa majoritária tinha uma lista de candidatos que de fato não são. Em especial a própria vice-governadora, que deve disputar outro cargo, mas não o que ela ocupa agora.

O movimento começa com um slogan que sai um pouco de foco: “Fica Margarete” soa como se ela não quisesse. Ela quer. Mas está difícil, praticamente impossível, já que ninguém acredita em uma chapa com apenas duas siglas – o PP de Ciro e da vice, e o PT de Wellington Dias e Regina Souza. No ceio governista, já se dá como fechada a chapa, com nomes e sobrenomes: Wellington Dias, governador; Themístocles Filho (MDB), como vice; Ciro Nogueira e Regina Souza, nas vagas ao Senado.

Então, por que a vice se submeteria a esse jogo? Primeiro, porque é bom para o partido dela. Fazer de conta que não aceita a indicação de Regina Souza para a segunda vaga ao Senado é uma forma de pressionar o PT, para que o partido aceite o chapão na disputa proporcional – o que é pedido por PP, PDT, PSD, MDB etc. Além disso, Margarete pode ser candidata a outro cargo – por exemplo, deputada federal – e reforçar a imagem pode gerar votos soltos, de opinião, sempre presente em um ou dois candidatos por eleição.

É fazer do limão uma limonada.

Certamente tem muita gente, nos diversos partidos governistas, interessada nessa sonfusão que pode trazer solução.