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Copa mostra marcas e ídolos planetários


Ídolo plenatário: craque da limitada seleção do Egito, Salah ganhou projeção mundial como uma das estrelas do Liverpool 

 

A Copa da Rússia reafirma um traço que o futebol já mostra há muito: é um fenômeno planetário. A globalização está presente, e isso pode ser visto nos ídolos e nas marcas que dominam a principal competição do futebol. Esse traço planetário, no entanto, traz junto um risco para a própria competição, ainda que não propriamente para o futebol.

Vale lembrar, as relações globais estão presentes no futebol muito antes da globalização ser consagrada como um fenômeno econômico e cultural. As aventuras internacionais de atletas podem ser verificadas há um século. Os atletas sulamericanos, por exemplo, já fizeram parte de times históricos da Europa lá pelos anos 20 e 30 do século passado.

Um bom exemplo é um nome bastante familiar ao Brasil: Béla Guttmann. Húngaro, Guttmann começou a jogar em 1921, ainda seu país. Depois migrou para times austríacos e para os Estados Unidos de onde, já nos anos 30, regressaria à Áustria. Aí começaria uma planetária carreira de técnico: Áustria, Holanda, Hungria, Romênia, Itália, Argentina, Brasil, Portugal etc. Revolucionou o futebol, inclusive no Brasil, como treinador do São Paulo. Quebrou os rígidos esquemas táticos. E se deu bem: ganhou duas Copas dos Campeões com um Benfica magistral, já nos anos 60.

Hoje o futebol está cheio de Béla Guttmann. Gente de um país atuando em outro. E sendo ídolos planetários. Um exemplo: a grande maioria não sabe nada do Egito, mas sabe quase tudo de Salah. Sabe principalmente que ele é uma reluzente estrela do Liverpool.

Esse protagonismo de ídolos planetários, independente da nacionalidade, reforça a centralidade dos clubes no coração dos torcedores de muitos países. Uns (e não só portugueses) torcem pelo Real Madri por causa de Cristiano Ronaldo. Outros se descabelam pelo PSG, por conta de Neymar (e não só brasileiros). E daí por diante. A FIFA sabe disso e teme pelo futuro da Copa, no confronto com outras competições, como a Champions.
 

Marcas planetárias faturam no futebol

Ao lado dos ídolos planetários, estão juntinho as marcas planetárias. A globalização pode ser vista na própria Copa da Rússia, onde sete marcas aparecem como patrocinados do evento. Sete marcas. Seis países diferentes. Duas dos Estados Unidos. Outras seis distribuídas entre China, Alemanha, Coreia do Norte, Rússia e Catar, cada país com uma marca.

Adidas – Alemã. Empresa de material esportivo.
Coca Cola – Norte americana. Marca de refrigerante.
Gazprom – Russa. Empresa de petróleo.
Kia Motor/Hyundai – Coreana. Empresa automobilística.
Qatar Airways – Catari. Empresa aérea.
Visa – Norte-americana. Área financeira (cartão de crédito).
Wanda – Chinesa. Conglomerado com atuação diversa, destaque para multimídia.

Todas com o mesmo objetivo: buscando mercados planetários às custas de um esporte há muito global.