Cidadeverde.com

Ciro volta ao ataque e mostra que continua o ‘Velho Ciro’


Ciro Gomes: um potencial eleitoral que pode esbarrar nas reações do pedetista consideradas destemperadas 

 

Em almoço com o presidenciável Ciro Gomes (PDT), em abril passado, um parlamentar piauiense amigo do ex-ministro disse que tinha duas certezas sobre o futuro do pedetista. A primeira, que Ciro seria candidato à presidência, sim. A segunda, que no correr da campanha o representante do PDT faria alguma besteira capaz até de comprometer a campanha. A candidatura é uma perspectiva, mas ainda não está garantida. Quanto às derrapagens, dessas o ex-ministro já está cuidando. E no plural.

Esta semana foram duas derrapagens sonantes, trazendo de volta o Ciro Gomes tão criticado da campanha de 2002: sem trava na língua, pouco diplomático e cabeça quente. É o “Velho Ciro” de volta, destemperado, em um tipo de conduta que pode até ganhar alguns adeptos, mas pode afastar outros mais.

Em 2002, o à época candidato do PPS chegou a crescer bem nas pesquisas e ameaçou a liderança de Lula (PT). Mas foi atropelado pelos ataques de José Serra (PSDB) e pelos próprios tiros no pé. À época, ganhou a antipatia das mulheres ao dizer que sua então esposa, Patrícia Pilar, teria um papel de “dormir com o presidente”. Também brigou com ouvintes de uma rádio na Bahia e enfrentou manifestantes nas ruas, além de ter a companhia de um vice – Paulinho da Força – cheio de pendências a resolver.

Resultado de tanta querela: Ciro despencou e acabou quarto, atrás de Lula, Serra e Garotinho.

Nesse momento, Ciro ainda não aparece em posição de segundo turno. Mas o desempenho das últimas pesquisas e o movimento da centro-esquerda (e até de um pedaço da direita) no sentido de apoiá-lo, começou a colocá-lo como uma alternativa viável, real. O problema é que Ciro não contém a língua e compra briga com quem apareça na frente.

Esta semana chamou de “Capitãozinho do Mato” um vereador de São Paulo ligado ao movimento MBL. Também discutiu com a platéia em um debate em Belo Horizonte. Mostrou que não está muito para desavenças e simplesmente abandonou o auditório.

Com esses gestos, Ciro reafirma uma postura antiga, a de destemperado, de que não leva desaforo para casa. Uma postura que gera desconfiança em muitos. Nessa altura do campeonato, tal desconfiança só aumenta.
 

Imagem de ‘desaforado’ como estratégia

Segundo boa parte dos analistas, a demanda popular no Brasil de hoje pede um candidato com imagem de pulso forte. Isso explicaria a liderança de Jair Bolsonaro (PSL) e o crescimento de Ciro Gomes – embora não se relacione com a força de Marina Silva (Rede). Ciro e Bolsonaro estariam atento a essa demanda e esticando a corda, elevando o tom da "macheza".

O problema é que Ciro vai além da imagem de pulso forte e de quem diz o que pensa. Ele descamba para a imagem do destempero e do desequilíbrio. Muitos analistas também avaliam que esta eleição pode se decantar por uma opção do equilíbrio, uma alternativa capaz de reconciliar o país.

Se essa última versão prevalecer, Ciro – mais até que Bolsonaro – estaria destoando.