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Apatia do eleitor deve reduzir quociente eleitoral


Evaldo Gomes: estratégia do PTC com a "chapinha" faz cálculos sobre quociente eleitoral e o deputado já prevê redução

 

A apatia do eleitor nas eleições deste ano deve ter impacto no chamado quociente eleitoral, e vai obrigar os partidos a refazem as contas e metas na disputa de outubro. Vale lembrar, o quociente eleitoral é a votação mínima que um partido ou coligação deve alcançar para conseguir cadeiras nas disputas proporcionais – este ano, para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Em 2014, o quociente na disputa por vagas na Assembleia ficou em pouco mais de 59 mil votos. Esse número é conseguido pela soma de votos válidos – atribuídos a um candidato ou a uma legenda – divididos pelo número de vagas em disputa. Na eleição passada, os 226 candidatos a deputado estadual tiveram 1.607.165 votos, que se somaram a mais de 166 mil votos de legenda.

Os votos nulos e brancos não entram na conta. Daí, os votos válidos somaram 1.773.649 que, divididos pelas 30 vagas na Assembleia, levaram a um quociente eleitoral de pouco mais de 59.100 votos. Mas, apesar do crescimento do eleitorado, a expectativa é que esse quociente caia em pelo menos 2 mil votos.

Um político que já conta com essa queda é o deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC e articulador da chamada Chapinha. Em 2014 ele apostou em uma aliança de pequenos partidos: com candidatos de votação mediana, a coligação ultrapassou com folga o quociente e elegeu dois deputados. Agora ele acha que pode eleger três, inclusive porque a queda no quociente pode facilitar a vida das pequenas siglas.

Evaldo avalia que o quociente deve ficar entre 57 mil e 58 mil votos. Ele reconhece que há uma apatia no eleitorado que, na forma de abstenção, voto nulo e branco, tende a reduzir o número de votos atribuídos a algum candidato.
 

Apatia cresce com descrédito da política

As eleições de 2016 já apontaram um importante crescimento no número de eleitores que não escolheram nenhum candidato em disputa. E a tendência admita por políticos e analistas é que este ano o chamado “não-voto” tende a crescer.

Em 2016, cidades como o Rio de Janeiro viram esse não-voto – a soma de abstenção, nulos e brancos – ficar em segundo lugar na corrida para prefeito já em segundo turno. A eleição suplementar para o governo de Tocantins, no início deste mês, mostrou que metade dos eleitores não fez opção por ninguém.

O cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná, acha que a votação no Tocantins é só um sinal do que pode acontecer este ano. Segundo disse em recente entrevista à Rádio Cidade Verde, um dos grandes desafio dos candidatos neste ano será motivar o eleitor a votar.