Cidadeverde.com

Há 5 anos as universidades federais perdem dinheiro


Financiamento em queda: universidades federais perdem recursos e comprometem as pesquisas 

 

Dilma deu a largada, e Temer não conseguiu interromper a corrida das universidades federais brasileiras para o precipício. Já em 2014, as universidades reclamavam a retenção dos repasses, problema que chegou ao ápice no primeiro semestre de 2016. Com a mudança de governo, alguns repasses foram recuperados, mas a tendência se manteve, com as federais vendo diminuir sua capacidade de financiamento do ensino, da pesquisa e de ações de extensão.

E os dados estão aí bem fortes para mostrar: em cinco anos, a verba para as instituições federais de ensino superior caiu 28%. O resultado é o agravamento de uma situação que já não era boa, apesar da expansão física verificada na década passada.

Os dados internacionais são claros: a universidade brasileira em geral não anda bem. Entre as duzentas melhores do mundo, temos apenas uma – a USP, e já lá na 118ª posição. Se a tendência não se reverter e os investimentos não crescerem, poderemos piorar. Por que? Ora, porque quando falamos em pesquisa nas universidades brasileiras, falamos fundamentalmente das universidades públicas, em especial as federais, além das estaduais paulistas (USP e UNICAMP à frente).

Se as federais pioram, a nossa fotografia fica mais embaçada ainda. E bota embaçada nisso!!

Segundo análise dos dados do próprio Ministério da Educação e do Ministério do Planejamento (que controla o orçamento), 90% das federais receberam em 2017 valor abaixo do recebido em 2013. Em 18 universidades, a redução do dinheiro levou, por exemplo, ao corte de terceirizados – em algumas dessas instituições, sem os terceirizados, alguns setores param.

Também há cortes de bolsas e auxílio aos estudantes, além do corte de apoio para que pesquisadores participem de eventos científicos.
 

Problema não é só falta de verba

Fazer pesquisa e, mais ainda, pesquisa de qualidade, exige dinheiro. E as universidades brasileiras reclamam da falta de recursos. Os dados mostram que há perdas substantivas. Mas os problemas da universidade brasileira não se resumem a isso.

Há alto índice de evasão, o que significa jogar dinheiro público fora. Os analistas também apontam falta de foco, com a ênfase (sobretudo nas públicas) no cumprimento de regras que levam não a boas descobertas, mas à simples promoção funcional. E isso leva a outro ponto altamente criticado: o divórcio entre o que a universidade produz e o que a sociedade anseia e carece.

Em outras palavras: a universidade se envolve consigo mesma e produz muito coisa que é festejada internamente, mas sem ressonância fora dos campi.