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Temer não tem apoio nem fora, nem dentro da política


Michel Temer: sem apoio popular, o presidente agora vê desaparecer também o apoio político que tinha em boa parte do Congresso

 

Desde o início, o governo Michel Temer (MDB) era visto como uma espécie de parlamentarismo branco, informal, tanto era o peso dos grupos políticos no Congresso dentro da administração federal. Essa estreita relação era vista como a tradução da habilidade do presidente no trato com os políticos, sobre os quais conseguia manter uma forte liderança. A rejeição das duas denúncias da PGR revelaria essa força.

Mas é tudo coisa do passado, como mostra o índice de aprovação do presidente entre os líderes partidários: em uma escala de zero a 100, a aprovação é de menos de 7 pontos.

De verdade, o mundo político já praticamente deu baixa do governo Temer. Isto porque os políticos costumam ter dois olhares: o do presente e o do futuro. E o governo Temer não oferece nenhuma das duas perspectivas.

No presente, tem uma máquina desnutrida, sem grande capacidade de aportar ações que gerem dividendos políticos. Para piorar, tem a mais baixa popularidade dos presidentes, desde que se faz avaliação pública dos mandatários. Dessa forma, não funciona como cabo eleitoral, nem direto (Temer pessoalmente como avalista), nem indireto (a máquina ajudando).

Quando ao futuro, a situação é ainda pior. O horizonte de depois de dezembro não oferece um lugar minimamente destacado para o presidente Temer. O eleito de outubro provavelmente não terá nenhuma relação com Temer. Além disso, a perspectiva é que o atual presidente tenha muito trabalho com a Justiça, a partir de janeiro. Ninguém vai querer estar perto para defender o tal “legado”.
 

Lideranças viram as costas para Temer

Levantamento do Painel do Poder faz uma avaliação sistemática do humor dos líderes partidários no Congresso em relação ao presidente. O último indicador, divulgado na semana que acabou, ouviu 56 líderes. A aprovação do governo Michel Temer ficou em 6,9 pontos, contra 23,9 da avaliação feita em março.

Os líderes consideram que Temer perdeu seus trunfos, em especial aquele que mais alavancava seus indicadores: a relação com o mercado. Em março, os líderes davam nota 54 para a capacidade do presidente de “elevar a confiança do mercado”. Esse índice agora é de 43.

O resultado do levantamento mostra que o “parlamentarismo branco” de Temer acabou. E, junto, acabou o governo – do qual não se espera praticamente mais nada.