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Além de levar a paz, violência deixa muito prejuízo econômico


Sem segurança: Brasil gasta a cada ano com segurança o equivalente a 9 vezes o PIB do estado do Piauí

 

O Brasil vai se transformando em um triste campeão: o campeão da violência. A consequência mais sentida pelo cidadão comum é a perda da paz, da tranquilidade, do prazer de ir e vir. Mas as perdas impostas pela violência têm outros efeitos igualmente poderosos, ainda que a maior parte das pessoas simplesmente não se dê conta disso. Por exemplo, há as perdas econômicas. E não são poucas: segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),a violência causa um prejuízo de 5,5% do PIB nacional.

Transformando os índices em números, a CNI aponta um prejuízo anual da ordem de R$ 365 bilhões, resultado da violência. Desse total, R$ 101 bilhões são cobertos pelo poder público. Mas o setor privado tem uma conta mais salgada ainda: R$ 264 bilhões. Para se ter uma ideia do que representa toda essa dinheirama, o gasto total corresponde a 9 vezes o PIB do Piauí. Isto mesmo: o Brasil gasta 9 vezes toda a economia do Piauí com segurança. Como se percebe, um gasto sem o retorno esperado.

O Brasil segue como um dos países mais violentos do planeta. Temos, a cada ano, mais de 60 mil mortes violentas – número que rivaliza com o de países em aberta guerra civil, como a Síria. Mesmo estados como o Piauí, que está entre os menos violentos do país, têm índices de homicídios de estarrecer qualquer nação minimamente decente. Aqui, são mais de 20 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

O mais grave nisso tudo é que tanta violência Brasil afora até assusta e gera críticas. Mas não chega a estarrecer, como de fato deveria. Cidades como Belém (Pará) registraram este ano mais de 40 execuções em um único final de semana. Salvador e Feira de Santana (na Bahia) tiveram registros semelhantes. Mas a violência está tão banalizada que fatos como esses quase nem são noticiados. Fazem parte do dia a dia. Estão dento da normalidade – triste normalidade.

A reação da população é se enclausurar. Os comerciantes dos bairros cercam seus estabelecimentos com graves, apartamentos cobrem os muros de câmeras e quarteirões inteiros contratam vigilância móvel. Tudo isso tira a paz dos cidadãos e leva uma boa parte de suas economias.

Para traduzir esse desassossego em valores, vale outra vez recorrer ao estudo da CNI. O gasto total com segurança – vamor lembrar, R$ 365 bilhões ou 5,5% do PIB nacional – é equivalente à economia produzida pelo setor da construção (5,2% do PIB), ou pela agropecuária (5,3%). É uma grana que supera tudo o que o país gera em divisas através da indústria extrativa-mineral (petróleo e minério de ferro) e de utilidade pública (água, esgoto e energia elétrica). Esses dois segmentos, somados, representam 4,5% do PIB brasileiro. Bem abaixo do que se gasta com segurança.

Apesar do tamanho do problema, a discussão sobre a segurança no país passa quase que somente pela estratégia do “prendo e arrebento”. Essa tem sido a estratégias das últimas décadas, sem efeito positivo. Está na hora do país refletir sobre esse tema tão complexo e que exige medidas em diversas áreas.

Se não for assim, o país continuará sem a paz que tanto sonha. E, também, dispendendo muitos recursos com retorno muito, muito limitado.