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O inesperado (e indesejado) protagonismo eleitoral do STF


Plenário do Supremo Tribunal Federal: decisões polêmicas e percepção popular de que o jurídico perde espaço para o político

 

O nome que carrega é pomposo: Supremo, a indicar superioridade, que está acima de qualquer coisa e até a sugerir um certo vínculo divino. A divindade nunca fez parte da instituição, ainda que alguns se considerem deuses. Agora, também perdeu a percepção de superioridade, sendo visto por muitos como mais um, como mais uma peça “do que está aí”, da política comum e amplamente rejeitada.

O Supremo Tribunal Federal está na berlinda. Nos últimos meses, as Redes Sociais têm sido invadidas com piadas, memes ou ataques diretos contra o STF. Denuncia-se a falta de compromisso da Corte com as causas nacionais, as quereles entre ministros e julgamentos que teriam mais o viés político e pessoal que jurídico e institucional.

Só para ficar em um exemplo: o humorista Marcelo Madureira fez um vídeo onde compara Gilmar Mendes a um grande ator. Concluía dizendo que, como grande ator, o ministro não desempenha papel qualquer: só faz papelão.

Agora as ações de Redes Sociais ganham as ruas em protestos como o que aconteceu em Fortaleza, onde, um a um, os ministros do Supremo – à frente Lewandowski, Marco Aurélio e Gilmar – são lançados na lata do lixo. Os protestos e piadas fazem associação direta com as eleições, onde pede-se uma reação dos brasileiros.

Não se sabe exatamente como poderia ser essa reação. Mas o certo é que o próprio Supremo dá motivos para as manifestações dentro e fora das Redes. Briga-se por nada, os ataques entre ministro se assemelham mais a discussões de boteco e boa parte sequer esconde seus vínculos políticos.

Assim, o STF ganha um inesperado e, sobretudo, indesejado protagonismo político.

As manifestações contra o Supremo, aliás, vêm de quase toda parte. Mas talvez ninguém possa reclamar. Quem passou pelo Poder Central da República indicou os seus. Hoje, por exemplo, dos 11 ministros, os governos petistas indicaram 7 – e poderiam ser oito, pois a morte de Teori Zavascki permitiu que também Temer indicasse o seu.

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